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BRASÍLIA - Mesmo elogiando a ação da Polícia Federal (PF), o ministro da Justiça, Tarso Genro, pediu hoje a abertura de sindicância para apurar se houve violação de conduta durante a operação Satiagraha. Ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, classificou de espetacularização as imagens das prisões do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta sob várias acusações, entre elas a de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Genro quer saber se houve violação do Manual de Procedimentos Operacionais da PF com as imagens exclusivas das prisões e também se ocorreu exposição constrangedora e ilegal nas detenções. O manual proíbe a divulgação de informações e imagens que exponham indevidamente pessoas presas por determinação judicial.

A Polícia Federal está de parabéns e essa ressalva será rigidamente investigada e o cumprimento integral do manual será restabelecido, disse o ministro.

Em nota distribuída por sua assessoria, Genro diz que uma empresa de comunicação obteve o privilégio de acompanhar o andamento da ação da PF, no caso, a TV Globo que veiculou as imagens. Durante entrevista coletiva, o ministro afirmou que outras emissoras reclamaram da falta de acesso. O ministro aproveitou, então, para pedir desculpas às demais emissoras: Nenhuma empresa deveria ter recebido qualquer informação antecipada, mas houve um encaminhamento de uma concorrência desleal, não provocado pela empresa, mas por alguém que fez essa informação transitar de forma indevida.

Assim, Genro afirmou querer saber se houve vazamento das imagens em privilégio da TV Globo além de identificar quem violou (as normas) e por quê. Ele explicou que o manual da PF tem o objetivo de impedir a punição antecipada com a exposição dos supostos réus.

O ministro ressaltou que o erro cometido por alguém da PF não tira o mérito da operação Satiagraha, resultado de um trabalho de inteligência, verificação de documentos, análise técnica das situações financeiras, além de acompanhamento do Ministério Público e acolhimento do Judiciário.

Ele disse ainda que a PF possui outras operações em andamento em todo o país e que o trabalho vai continuar. Se respingar em determinadas pessoas, seja de que partido for, oposição ou governo, ocupantes de cargos públicos ou de empresas privadas, isso é secundário, afirma. Genro destacou também que a Polícia Federal investiga delitos, fatos concretos.

(Valor Online)

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