Tamanho do texto

A economia britânica cresceu 0,8% no terceiro trimestre, menos que no período anterior, mas o dobro do que esperavam os economistas, o que afasta temores de uma nova recessão depois do plano de austeridade sem precedentes anunciado pelo governo.

A economia britânica cresceu 0,8% no terceiro trimestre, menos que no período anterior, mas o dobro do que esperavam os economistas, o que afasta temores de uma nova recessão depois do plano de austeridade sem precedentes anunciado pelo governo.

O Produto Interno Bruto (PIB) também aumentou 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados econômicos divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS), o que representa a maior alta em ritmo anual desde o terceiro trimestre de 2007.

Este é o quarto trimestre consecutivo de crescimento desde que o Reino Unido saiu de um ano e meio de recessão no último trimestre de 2009, mas a alta de 0,8% entre julho e setembro é claramente inferior ao 1,2% registrado no período anterior.

Segundo a ONS, somando os dois últimos trimestres tem-se o maior crescimento semestral desde os primeiros seis meses de 2000. O órgão destaca ainda a contribuição dos setores da construção civil e dos serviços.

O resultado é muito melhor do que o 0,4% previsto pelos economistas, menos de uma semana depois do governo do conservador David Cameron anunciar um drástico plano de corte dos gastos públicos para reduzir o enorme déficit do país antes do fim de seu mandato, em 2015.

Embora esta seja apenas a primeira das três estimativas e esteja sujeita a variações, foi o suficiente para desmentir aqueles que apontavam um risco de recaída da economia britânica.

"Estes números acalmarão claramente os temores de uma dupla recessão na economia britânica", estimou Jonathan Loynes, da Capital Economics.

A última estimativa do Escritório para a Responsabilidade Orçamentária (OBR), criada pelo novo governo, é de um crescimento de 1,3% para 2010.

As cifras anunciadas pelo ONS podem ser interpretadas como uma boa notícia para a coalizão de Cameron, que assumiu em maio.

"Sem dúvida, o governo tomará isto como um sinal de que o setor privado pode preencher a brecha criada pelos cortes no setor público", opinou o analista James Knightley, da Global Economics.

Nesta terça-feira, a agência de classificação financeira Standard & Poors confirmou a nota "AAA" do Reino Unido, melhorando sua perspectiva de "negativa" para "estável" e expressando satisfação com o plano de austeridade anunciado por Downing Street.

Ao todo, serão 81 bilhões de libras (129 bilhões de dólares) em cortes nas contas públicas até 2015. Para a S&P, a decisão "reduz os riscos relativos à aplicação do plano de ajuste orçamentário".

Além disso, aponta a agência, os aliados da coalizão de conservadores e liberal-democratas "mostraram um alto grau de coesão".

O ministro da Economia, George Osborne, apresentou na semana passada um plano de austeridade que prevê o corte de meio milhão de empregos públicos.

Especialistas haviam advertido que o forte crescimento registrado no segundo trimestre marcava o ponto máximo da recuperação britânica, e que era pouco provável que se repetisse a curto e médio prazo devido às medidas de austeridade.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.