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SÃO PAULO - Ainda absorvendo os fortes investimentos realizados ao longo do ano passado, a Companhia de Concessões Rodoviárias ( CCR) fechou o último trimestre do ano com uma combinação de aumento da receita e queda do lucro líquido. Em comparação com 2008, o quarto trimestre registrou aumento de 14,6% de receita, alcançando R$ 841 milhões - resultado auxiliado pela chegada de novas operações, como o Rodoanel, em São Paulo. O lucro trimestral, por sua vez, ficou em R$ 111 milhões, 40% menor do que o do ano anterior - a queda decorreu também do lançamento de R$ 84 milhões em despesas fiscais, oriundas da adesão ao último programa de parcelamento do governo federal.

Segundo Marcus Macedo, gerente de relações com investidores do grupo, caso fosse descontado o efeito das despesas com os novos negócios e a adesão ao parcelamento tributário, o lucro teria crescido. No ano, teria ficado em R$ 821 milhões, frente a R$ 713 milhões em 2008 - um avanço de 15%.

No momento, o grupo CCR carrega no portfólio três novos ativos ainda operando com receita parcial ou inexistente, o que traz custos grandes, mas receitas magras. O Rodoanel Oeste, com as praças em funcionamento desde meados de 2009, aguarda a entrada em operação do trecho Sul neste ano para ver o fluxo de veículos chegar perto da meta - nos cálculos da empresa, a abertura do novo trecho aumentaria de 30% a 40% a receita da concessão, de R$ 32 milhões trimestrais atualmente.

A linha quatro do Metrô paulistano será inaugurada neste ano e deverá render R$ 220 milhões ao ano, mas só a partir de 2011, quando todas as estações estarão operado. A Controlar, que faz a inspeção de veículos em São Paulo, renderia R$ 100 milhões ao ano, mas ainda em ajustes iniciais está operando com 50% da capacidade.

A contrapartida desses novos ativos foi um salto no endividamento bruto do grupo. A dívida, de R$ 3,7 bilhões em dezembro de 2008, fechou o ano passado em R$ 5 bilhões - só o Rodoanel exigiu o pagamento de uma outorga de R$ 2 bilhões ao governo de São Paulo. Mas a despesa financeira da nova dívida foi parcialmente compensada pela queda no custo, 60% dele atrelado ao CDI até o fim do ano passado - e que caiu junto com a Selic ao longo do ano. O custo médio da dívida, diz Macedo, é hoje de 8,1% - e estava acima de 12% até o fim de 2009.

O endividamento líquido também foi reduzido graças à captação de R$ 1,2 bilhão no mercado de capitais no fim de 2009. Com o lançamento de ações, a dívida líquida ficou em R$ 2,9 bilhões no fim do ano passado - era de R$ 2,6 bilhões em 2008. A relação entre a dívida bruta e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida), um referencial de endividamento, caiu entre o quarto trimestre de 2008 e o de 2009, passando de 1,52 para 1,48.

Uma boa notícia para o grupo foi a recuperação do tráfego nas rodovias, duramente atingido pela crise entre o fim de 2008 e o início de 2009. Excluindo o novo fluxo do Rodoanel, o aumento dos trechos já em operação foi de 4,5% no trimestre e de 0,2% no ano. O grupo também vem tendo sucesso na implantação do " Sem Parar " , sistema de cobrança automática de pedágios que a médio prazo deve cortar custos nas praças. Hoje, a adesão é de 1,8 milhão de usuários, representando 56% da receita das rodovias.

(Fernando Teixeira | Valor)

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