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O Grupo dos 20 (G-20), que reúne os países responsáveis por 80% do comércio mundial, se comprometeu a não estabelecer novas barreiras para investimento ou para o comércio de bens e serviços nos próximos 12 meses. O compromisso foi estabelecido ao final da reunião de cúpula dos chefes de Estado e de governo que se reuniram em Washington, neste final de semana, diante da avaliação dos líderes de que a rejeição do protecionismo tem importância crítica em termos de insegurança financeira.

O trecho sobre comércio faz parte da subdivisão intitulada "Compromisso para uma economia global aberta" do comunicado divulgado pelo grupo.

De acordo com o comunicado, elaborado ao fim da reunião sobre mercado financeiro e economia mundial, o G-20 também concordou que não vai haver "imposição de novas restrições à exportação ou a implementação de medidas inconsistentes da OMC (Organização Mundial do Comércio) para estimular exportações".

O G-20, que agrega países industrializados e em desenvolvimento, responde por 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e agrega dois terços da população do globo. Os líderes do G-20 declararam que vão fazer um "esforço para alcançar um acordo este ano sobre as modalidades que conduzam a uma conclusão bem-sucedida para a agenda de Doha com um resultado ambicioso e equilibrado". "Concordamos que nossos países têm a maior parcela no sistema de comércio global e, então, devem fazer as contribuições positivas necessárias para alcançar tal resultado".

Resultado

Em entrevista durante a cúpula em Washington, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou que os pontos decididos pelo G-20 com relação ao comércio mundial e manifestados no comunicado seriam "uma boa deixa para o Pascal Lamy (diretor-geral da OMC) continuar com o trabalho dele em Genebra". Depois de ter reunião com a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, o ministro brasileiro afirmou que "tanto o Brasil quanto os EUA ficaram satisfeitos com o (resultado final do) comunicado".

Amorim observou que Doha é importante "não só pelo que vai dar, mas pelo que pode ocorrer se a Rodada não se concluir". Esta foi a terceira reunião do G-20 em um mês, sendo que o único encontro regular foi o realizado em São Paulo no início deste mês. O encontro deste final de semana e o primeiro realizado em outubro, durante o Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), tiveram caráter de emergência.

Amorim pondera que há preocupação "generalizada de minimizar o impacto da crise financeira sobre a economia real. E, por isso, estima que "a conclusão da Rodada de Doha é, talvez, o melhor sinal que se pode dar de que os países estão comprometidos em tomar medidas que vão no sentido contracíclico, de estimular as economias".

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