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Propagandas inspiradas pelo esporte são apostas de agências nacionais no festival de publicidade, que começa domingo

Nem o troféu atual da Copa do Mundo, nem a nostálgica taça Jules Rimet – desta vez, o futebol brasileiro vai ao exterior para ganhar Leões de Ouro. Peças de propaganda inspiradas por craques, times e torcidas viraram a aposta de algumas agências nacionais no festival de publicidade de Cannes, que acontece entre 19 a 25 de junho. O Brasil é o segundo país com maior número de trabalhos inscritos, com 2.647 campanhas, atrás apenas dos EUA.

Bandeirão criado pela F/Nazca para a Nike: custou R$ 23 mil e rendeu mais de R$ 2,8 milhões à marca
Divulgação
Bandeirão criado pela F/Nazca para a Nike: custou R$ 23 mil e rendeu mais de R$ 2,8 milhões à marca
Entre os publicitários da F/Nazca, a maior esperança de levantar o caneco na Riviera Francesa é uma campanha feita para a Nike, que envolveu a torcida corinthiana – a “República Popular do Corinthians”. As peças foram inscritas em categorias como Design e Outdoor. Nesta última, concorre o “bandeirão” criado pela agência, para ser esticado no estádio ( ao lado ). Ele custou R$ 23 mil e já rendeu mais de R$ 2,8 milhões em visibilidade “gratuita” da marca na imprensa, calcula a F/Nazca.

“Se eu tivesse de apostar num cavalo só, seria este”, diz Eduardo Lima, diretor de criação da agência, que tem 162 peças inscritas. A campanha da Nike também busca o prêmio Titanium, uma supercategoria onde concorrem diversos segmentos de anunciante e tipos de mídia. “É uma ação feita para uma marca forte e que já ganhou troféus importantes em outros festivais, por isso acreditamos nela”, afirma Lima, que foi jurado em Cannes em 2008.

Outro trabalho brasileiro, que irá disputar Leões de Ouro nas categorias Press e Titanium, buscou inspiração nas conquistas da Libertadores da América e do mundial de clubes pelo Grêmio, em 1983. A campanha foi criada pela agência Talent para a Topper, que se preparava para lançar a primeira camisa do clube fabricada pela marca, em 2011. O anunciante queria algo que invocasse a tradição do Grêmio. A Talent, então, “costurou” uma reprodução da capa do jornal gaúcho Zero Hora que anunciava a vitória no torneio continental, em 1983, usando fios azuis e pretos da camisa do clube – veja abaixo:


O resultado foi a venda de mais de 90 mil camisas do tricolor gaúcho em 15 dias, além de 250 mil comentários sobre a campanha em blogs, sites e redes sociais – a ação chegou a ser um dos assuntos mais comentados ao redor do mundo no Twitter. "É uma campanha bem sutil, que foi feita para vender camisas, mas quase não mostra a camisa", diz Lígia Mendes, redatora do trabalho. "Acabamos recebendo até emails e cartas de pessoas que queriam o layout para fazer quadros", conta.

A ola mágica criada para a Coca-Cola: candidata na categoria Outdoor
Reprodução
A ola mágica criada para a Coca-Cola: candidata na categoria Outdoor
A agência brasileira que inscreveu mais peças nesta edição do festival é a JWT, com 183 trabalhos. Entre elas, a “ola mágica” que chamou a atenção no metrô de São Paulo durante a Copa de 2010, numa campanha para a Coca-Cola. Conforme as pessoas caminhavam – ou passavam dentro dos vagões – em algumas estações, uma torcida estampada na parede “se levantava”, criando a ola. A ideia ( veja ao lado ) concorre na categoria de mídia outdoor.

A rivalidade – e o bom-humor – dos sul-americanos podem consagrar a campanha “argentinos do samba”, criada pela F/Nazca para a Skol. Ela concorre na categoria Film Craft, que premia o processo de filmagem. No vídeo, torcedores argentinos tomam a improvável decisão de apoiar a seleção brasileira, após experimentar a cerveja. A campanha chegou a motivar um processo de danos morais por parte de argentinos que "se sentiram humilhados" por ela – recentemente, a justiça deu ganho de causa à Skol . Veja abaixo.


O amor dos brasileiros pelo futebol inspirou também a agência Ogilvy, que criou uma divertida campanha para o canal esportivo BandSports. As peças mostram famílias posando para a foto – mas o homem da casa está sempre com o olhar desviado para outra coisa, supostamente um jogo de futebol. O trabalho concorre na categoria Press e Outdoor. Confira abaixo.

Olho no jogo: campanha sutil feita pela Ogilvy, que concorre nas categorias Press e Outdoor
Divulgação
Olho no jogo: campanha sutil feita pela Ogilvy, que concorre nas categorias Press e Outdoor


Já o marketing viral irá contar com o talento de Ronaldo para trazer um Leão de Ouro aos brasileiros na categoria Cyber. Criada pela F/Nazca para a Claro, a ideia envolveu vídeos online e troca de provocações nas redes sociais entre o craque brasileiro e o francês Rémi Gaillard – também contratado para a ação. Os vídeos, nos quais eles se desafiavam para ver quem fazia a melhor peripécia com a bola, tiveram mais de 5 milhões de visualização na internet em cinco dias. Veja abaixo:


O resultado foi considerado muito bom pela agência, mas as imagens suscitam uma pergunta inevitável – foi armação, ou Ronaldo acertou mesmo aquela bola? A resposta serve somente ao bom entendedor. “O mágico não pode revelar seu truque”, desconversa Lima, diretor de criação da F/Nazca. “Senão, a mágica se perde”.

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