Tamanho do texto

SÃO PAULO - Os metalúrgicos da Boeing aceitaram a proposta da empresa, ratificada na semana passada por seu sindicato, e voltaram ontem ao trabalho após uma paralisação de 58 dias. O prejuízo da companhia com a greve ultrapassou os US$ 4 bilhões, segundo o sindicato da categoria, entre negócios não realizados e multas por atraso na entrega de aeronaves.

Nesses quase dois meses de paralisação, nenhum avião foi enviado a clientes.

No total, voltam ao trabalho 27 mil empregados, que estavam em greve desde o dia 6 de setembro. A falta de entendimento entre empregados e empresa se dava, principalmente, em relação à intenção da Boeing de se manter aberta à possibilidade de transferir para fornecedores ou para o exterior partes de sua produção. Para os sindicalistas, isso seria prova de uma suposta estratégia da Boeing de eliminar, no longo prazo, mais e mais postos de trabalho nos EUA.

"Estamos ansiosos por ter nosso time de volta para retornarmos ao trabalho de construir aviões para nossos clientes", afirmou o presidente e executivo-chefe da Boeing Aviação Comercial, Scott Carson. "Esse novo contrato atende às exigências de estabilidade no emprego do sindicato e ainda mantém a flexibilidade necessária à Boeing para conduzir seus negócios. Ele recompensa os empregados por sua contribuição a nosso sucesso com um salário de ponta na indústria e com benefícios que nos permitem continuar competitivos", completou.

Pelo acordo, será concedido um aumento médio de 15% em quatro anos, com uma elevação imediata de 16% nos fundos de pensão e abonos de no mínimo US$ 8 mil. O novo contrato é válido pelos próximos quatro anos, o que, segundo a Boeing, é um tempo maior do que o que normalmente se compromete com o sindicato e que aumenta a estabilidade de seus funcionários.

(José Sergio Osse | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.