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Editorial do jornal "Financial Times" de hoje chama de "fanfarrice" a situação vivida atualmente pela América Latina, principalmente no caso do Brasil. Segundo o jornal britânico, a "complacência" é o maior perigo da região.

Editorial do jornal "Financial Times" de hoje chama de "fanfarrice" a situação vivida atualmente pela América Latina, principalmente no caso do Brasil. Segundo o jornal britânico, a "complacência" é o maior perigo da região. "As piores quedas geralmente acontecem quando você está mais pomposo."

O FT lembra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido, na semana passada, o líder mais influente do mundo pela revista Times, à frente do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o quarto colocado.

Para o jornal britânico, a América Latina está experimentando recuperação positiva, com exceção da Venezuela. No entanto, o desempenho não vem apenas de méritos próprios. "A sorte tem um grande papel no sucesso recente da região", afirma o editorial.

A publicação diz que os bancos, assustados pelas crises anteriores, se voltaram para dentro, ao invés de se aventurarem no exterior. Além disso, evitaram os investimentos em subprime que prejudicaram as instituições financeiras nos países desenvolvidos.

O boom nas commodities, puxado pela ¿?sia, também ajudou os países da América Latina a atravessarem a crise global. E os juros perto de zero nos Estados Unidos inundam o continente com dinheiro barato. Qualquer um desses dois últimos fatores seria suficiente para sustentar um boom, mas a América Latina está experimentando ambos ao mesmo tempo, diz o FT.

Permitir a apreciação das moedas, como o Brasil e a Colômbia estão fazendo, pode frear a entrada de recursos, apesar de o câmbio valorizado também trazer problemas, avalia o jornal. Para o FT, os países precisam ainda de investimentos de longo prazo em infraestrutura.

"Ainda assim pode haver excesso de capital", afirma a publicação, mencionando que o crédito no Brasil está crescendo a uma taxa de 47% e os preços dos imóveis no Rio de Janeiro estão subindo cerca de 50% ao ano. "Apenas dois alertas de uma dor de cabeça pós boom que ainda está por vir."

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