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Os segmentos de acessórios pessoais e calçados e vestuário se destacaram no ano passado com os maiores faturamentos do setor de franquias no País, e, segundo analistas, devem continuar em alta como boas oportunidades de negócio nos próximos anos. O impulso vem, especialmente, da classe C e do público feminino, independentemente de classe social.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), em balanço sobre o desempenho do setor em 2009, o segmento de acessórios e calçados faturou R$ 3,73 bilhões, valor 41,2% a mais do que em 2008. Em seguida, faturando valor maior - R$ 5,1 bilhões -, o de vestuário aumentou em 33,5% em relação ao ano anterior. Como um todo, o setor de franquias teve faturamento 14,5% maior, próximo aos 15% que foram projetados pela entidade para o ano passado, e considerados satisfatórios por ela.

Isso é reflexo, segundo o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo, do aumento do poder de compra da classe C, principalmente depois do segundo semestre de 2009 - início da recuperação da crise econômica internacional, que teve seu auge no fim de 2008. "O primeiro semestre foi complicado, com indicadores de emprego muito ruins. Já no segundo, os índices melhoraram", diz ele. "Por isso, esses consumidores passaram a ter uma sobra para investir em artigos que não são de necessidade imediata", completa Camargo.

O diretor da Francising Store, que comercializa franquias de 70 marcas, Marcos Hirai, destaca que o valor médio relativamente baixo dos acessórios fez com que o segmento não sentisse a crise econômica internacional do ano passado com toda sua força.

"Ele (o setor) resiste. Quem ficou sem dinheiro para comprar roupas ou outros artigos mais caros acabou incrementando o visual com acessórios: um cinto novo, ou uma bolsa nova não tão cara", afirma. Segundo ele, a dinâmica do segmento "casou" bem com a tendência de consumo da classe C, e ajudou a manter o segmento como um dos mais promissores.

"Esse consumidor é ávido por novidades, sempre presentes no setor da moda, e produtos que definam um estilo", diz Hirai. Ele também lembra que os shopping centers que mais têm crescido no Brasil são os do segmento popular.

Nesse movimento das classes C e D rumo ao consumo de bens antes proibitivos se destaca, ainda, o empurrãozinho dado pelas mulheres. "A presença delas no mercado de trabalho está cada vez maior, e sua remuneração está cada vez menos defasada em relação aos salários que o mercado paga aos homens, e isso impulsiona o consumo", afirma Camargo, da ABF, lembrando que elas já ocupam 45,1% das vagas no mercado de trabalho.

"Seu modo (das mulheres) de comprar é diferente de como os homens compram, menos sensível à crise, pois agem mais com emoção, enquanto homens não se importam em usar o mesmo sapato por mais tempo, por exemplo", avalia o diretor da Franchising Store.

Oportunidades
A ABF projeta crescimento de 16% no faturamento em 2010, em relação aos números do ano passado. Quanto aos pontos de venda, o crescimento esperado é de 8% a 10%, o que significa em torno de 8 mil novas lojas e quiosques franqueados em todo o País.

Para quem tem um dinheiro extra e pensa em investir em uma franquia, Hirai recomenda apostar nos "vencedores do ano passado", como fez o ex-bancário Alexandre Biller (leia ao lado). "Além de acessórios e moda, alimentação é sempre boa opção", afirma ele, lembrando o que chama de "febre momentânea" de quiosques de sorvete à base de iogurte. Camargo, da ABF, lembra o espaço para alimentação rápida e diferenciada, como faz a marca Wraps.

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