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Paris, 26 out (EFE).- A ministra de Economia da França, Christine Lagarde, disse hoje que os protestos contra a reforma da previdência no país entraram em um ponto de inflexão, elogiando a disposição de um dos grandes sindicatos de iniciar a discussão de outras questões.

Paris, 26 out (EFE).- A ministra de Economia da França, Christine Lagarde, disse hoje que os protestos contra a reforma da previdência no país entraram em um ponto de inflexão, elogiando a disposição de um dos grandes sindicatos de iniciar a discussão de outras questões. "Acho que o ânimo (das mobilizações) está mudando. Cumprimento tanto a retomada da razão como do diálogo", destacou Lagarde em entrevista à emissora "Radio Classique". A ministra se referiu à iniciativa da Confederação Francesa de Trabalhadores (CFDT) de abrir negociações sobre o emprego dos jovens e dos trabalhadores de idade avançada. "É realmente uma guinada. Acredito que seja algo muito bom". O secretário-geral da CFDT, François Cherèque, pediu ontem à noite "uma negociação sobre o emprego dos jovens e dos mais velhos", em uma transmissão televisiva na qual a presidente da entidade patronal Medef, Laurence Parisot, respondeu que estava de acordo. O líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Bernard Thibault, que também participava desse programa de debate, garantiu que os protestos "continuarão", mas de "outras formas". Nesta manhã, os funcionários de coleta de lixo voltaram ao trabalho em Marselha (sudeste), após passarem 14 dias em greve, o que levou à acumulação de montanhas de resíduos por toda a cidade e gerou protestos contra a proliferação de ratos. Os funcionários de três refinarias da França, que como as outras nove do país ficaram paradas durante mais de dez dias pela greve, decidiram voltar ao trabalho, o que deve se traduzir na reativação de seu funcionamento, embora a estimativa seja mais para os próximos dias do que para as próximas horas, segundo a União Francesa de Indústrias Petrolíferas (Ufip). Nesta manhã, um grupo de manifestantes bloqueou durante pouco mais de uma hora um depósito de combustível em Grigny, na região de Paris, e mantinha bloqueado o de Brive-la-Gaillarde. No entanto, o Governo havia anunciado ontem que os caminhões podiam se abastecer nas cerca de 230 instalações deste tipo existentes na França. Por isso, o ministro de Meio Ambiente, Jean-Louis Borloo, tinha se mostrado otimista, prevendo que cerca de 80% dos postos de gasolina deveriam funcionar hoje. Esse número, segundo a previsão do presidente da Ufip, Jean-Louis Schilansky, não pode ser alcançado tão rapidamente. As principais organizações estudantis convocaram hoje concentrações em frente a sedes de partidos, da patronal e do Senado francês, entre outros tipos de mobilizações, até a nova greve de quinta-feira. Nos ferrovias, a Sociedade Nacional de Estradas de Ferro (SNCF, na sigla em francês) prevê para hoje a circulação de aproximadamente 90% dos trens de alta velocidade de um dia normal, 70% dos regionais e locais, e uma melhora na circulação dos trens noturnos, mas longe ainda da normalidade. Manifestantes em toda a França protestam contra a reforma da previdência proposta pelo Governo do presidente Nicolas Sarkozy, que, entre outras medidas, pretende ampliar a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos e a idade para aposentadoria integral de 65 para 67 anos. Após ser aprovada pelo Senado, a reforma só precisa agora receber o aval definitivo da Assembleia Nacional e seguir então para sanção do presidente Sarkozy. "A situação após a votação da lei não pode ser a mesma" e a nova greve convocada pelos sindicatos para quinta-feira "não mudará nada na reforma do sistema previdenciário", declarou hoje em entrevista à emissora "France Info" o ministro do Trabalho francês, Éric Woerth. EFE ac/sa

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