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A União Europeia segue com uma postura dúbia sobre a crise na Grécia. Dois dias depois de ouvir da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que seu país não precisa de auxílio financeiro da zona euro, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, recebeu ontem o apoio da França.

Segundo o presidente Nicolas Sarkozy, a zona do euro vai apoiar os países em dificuldades, porque essa é a razão de existir do bloco econômico."O governo grego tomou as medidas que nós esperávamos, e os Estados da zona euro devem daqui para a frente estar prontos a tomar as que se espera deles", argumentou Sarkozy. A seguir, garantiu: "A França fará o necessário".

Descartando que a Grécia possa vir a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter refinanciamento de suas dívidas de curto prazo - estimadas entre ¿ 20 bilhões e ¿ 30 bilhões - Sarkozy reforçou que o socorro, se preciso, será europeu:"Um país da zona do euro deve antes de mais nada contar com os outros países da zona do euro. Caso contrário, porque teríamos feito uma moeda única?"
Satisfeito com a declaração de Sarkozy, Papandreou revelou que as discussões entre os parceiros europeus evoluíram nas últimas horas. Pouco antes do encontro com o chefe de governo grego, o francês reuniu-se com Merkel por 45 minutos.

"Até ontem ou anteontem, a solução europeia continuava apenas teórica. Depois de diferentes reuniões que tive nessa semana, ouvi que a vontade política existe, e não apenas do presidente Sarkozy", assegurou Papandreou.

O plano de ajuste grego, que prevê o corte de 4,8 bilhões em gastos públicos, o congelamento de pensões e a diminuição do salário dos funcionalismo é um complemento ao compromisso que Atenas assumiu no mês passado com a UE para reduzir em quatro pontos porcentuais o déficit público este ano.

Papandreou, que concluirá sua rodada de visitas a chefes de Estado na próxima quarta-feira, em Washington, onde se encontrará com o presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou que seu país não precisa de um "financiamento especial".

Ele disse que a Grécia está levando a cabo importantes esforços solicitados pela UE e insistiu que a Grécia só quer condições de pagamento de sua dívida "semelhantes" aos dos outros países da zona do euro.

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