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A Ford Motor, única montadora de Detroit que não está recebendo empréstimos governamentais, revelou ontem perdas de US$ 14,6 bilhões no ano passado, o que faz de 2008 o pior ano de sua história, resultado do maior declínio nas vendas observado em décadas. Ainda assim, a empresa afirmou dispor de liquidez suficiente para financiar seu plano de atividades e seus investimentos em produtos.

A Ford encerrou 2008 com US$ 24 bilhões em caixa - mas a maior parte vem de empréstimos.

A Ford está numa situação financeira melhor do que as suas rivais General Motors e Chrysler, e reiterou que não precisará de ajuda federal, a não ser que a economia piore significativamente ou que uma de suas concorrentes entre com pedido de reestruturação financeira ou concordata.

"A Ford e toda a indústria automobilística enfrentaram desaceleração extraordinária em todos os principais mercados do mundo no quarto trimestre, fato que claramente teve impacto nos nossos resultados", disse o presidente mundial da Ford, Alan Mulally.

"Continuamos a tomar as medidas decisivas e necessárias para reduzir a produção - em resposta à demanda mundial menor - e diminuir os custos, atitudes que permitirão à empresa conter o fluxo de caixa negativo em 2009 e deixarão a Ford em posição de crescer quando a economia se recuperar", disse Mulally.

A Ford perdeu US$ 5,9 bilhões, ou US$ 2,46 por ação, nos últimos três meses de 2008. As vendas de automóveis nos EUA caíram muito por causa do aperto do mercado de crédito.

Os próximos meses não parecem muito promissores. Economistas esperam que a economia continue em contração até pelo menos julho, mas acreditam que a deterioração ocorrerá num ritmo mais lento a partir do segundo trimestre. Isso faria desta recessão a mais longa desde a década de 30, superando em longevidade as crises da década de 70 e do início da década de 80. A taxa de desemprego, que saltou para o seu maior índice em 16 anos, chegando a 7,2% em dezembro, deve aumentar ainda mais.

A receita da Ford no quarto trimestre foi de US$ 29,2 bilhões, uma queda de 36% ante os US$ 45,5 bilhões registrados em igual período de 2007.

A perda anual de US$ 14,6 bilhões, equivalente a US$ 6,41 por ação, foi mais de cinco vezes superior à perda observada em 2007, que chegou a US$ 2,7 bilhões, ou US$ 1,38 por ação. Foi também superior à perda de US$ 12,7 bilhões registrada em 2006 , o recorde anterior para a empresa de 105 anos de idade.

A empresa planeja recorrer às linhas de crédito disponibilizadas a ela em busca de US$ 10,1 bilhões adicionais no primeiro trimestre. A Ford afirmou também que o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automotiva (UAW) concordou em pôr fim ao seu controvertido programa de banco de empregos, o qual continua a pagar os funcionários da fábrica depois de os seus postos de trabalho terem sido eliminados.

Juntas, Chrysler e GM já tomaram emprestados US$ 13,4 bilhões do governo federal para evitar a falência. A Ford disse que desejava uma linha de crédito de US$ 9 bilhões, à qual recorreria em caso de necessidade.

Além da montadora, a Ford Credit, braço financeiro da empresa, relatou perda líquida de US$ 1,5 bilhão em 2008, ante ganho de US$ 775 milhões no mesmo trimestre de 2007. A empresa vai cortar cerca de 1,2 mil empregos, ou 20% da sua força de trabalho.

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