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César Muñoz Acebes. Washington, 6 mar (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) aconselhou os Governos a estenderem a regulação financeira a setores não controlados e a prepararem programas de estímulo fiscal para 2010, já que a crise será mais longa do que o previsto.

A entidade multilateral de crédito também constatou o agravamento das condições econômicas nos últimos meses e agora acha que a situação só começará a melhorar em 2010.

Por isso, engoliu sua preocupação quase genética com os déficits orçamentários e recomendou aos países que têm condições que gastem mais.

"Levará muito tempo até que o crescimento potencial volte ao nível normal. Portanto, temos que pensar em fazer os impulsos fiscais durarem bastante", disse em entrevista coletiva Olivier Blanchard, economista-chefe do órgão.

Em 2009, grande parte dos países abrirá os cofres públicos para oferecer ajuda e tentar reativar a economia, mas alguns terão pouco para gastar em 2010, destacou Blanchard.

"Neste momento, os Governos deveriam estar pensando mais em 2010 e talvez em 2011", declarou o economista francês, para quem o melhor estímulo são os projetos de infraestrutura, que demoram algum tempo para serem implementados.

Os investimentos no setor, acompanhados da queda da atividade econômica, já deixaram no vermelho os principais países desenvolvidos, segundo um relatório preparado pelo FMI para a cúpula do G20, que acontecerá em 2 de abril, em Londres.

Em 2009, o déficit dos Estados Unidos crescerá para 12% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, enquanto os do Reino Unido e do Japão passarão de 7%.

Na América Latina, onde os Governos conhecem bem a dificuldade de encontrar compradores para bônus de mercados emergentes quando todos fogem dos riscos, proporção déficit/PIB será mais moderada.

O rombo orçamentário do Brasil deverá ser de 1,3%, enquanto os de México e Argentina chegarão, respectivamente, a 2,9% e a 3,6% da riqueza nacional, segundo o FMI, que só divulgou dados dos membros do G20.

A entidade também pediu uma "estratégia clara" para que os países retomem a disciplina orçamentária e frisou que "dúvidas sérias sobre a solvência fiscal levariam a um salto nas gratificações de risco, desestabilizariam as expectativas e sacudiriam ainda mais a confiança no mercado".

Ao mesmo tempo, segundo o FMI, os Governos não podem deixar de lado o sistema financeiro, cuja recuperação é fundamental para que a economia recupere seu vigor.

A grande questão neste caso é ajudar os bancos dos países ricos a se livrarem dos ativos "podres", que contribuem para o clima de incerteza generalizado, disse em entrevista coletiva Jaime Caruana, diretor monetário e de mercados de capitais da entidade.

Caruana também propôs o aumento da supervisão sobre as instituições cuja quebra comprometeria o bom funcionamento do sistema financeiro, sejam bancos ou não.

Particularmente, aconselhou obrigar as principais entidades que operam no mercado de derivativos de crédito e em outros setores não regulados a manter reservas de capital.

"O importante não é sua estrutura legal, mas suas funções", disse o especialista.

Outra recomendação foi a criação de "um código de conduta obrigatório entre nações", para coordenar e delimitar as intervenções nos bancos, o que ajudaria a conter a atual fragmentação da regulação financeira.

Além disso, Blanchard sugeriu que os bancos centrais endureçam as taxas de juros não apenas quando a inflação sobe, mas também quando acharem que uma nova bolha econômica está se formando. EFE cma/sc

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