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Christine Lagarde, da França, Agustín Carstens, do México, e Grigori Marchenko, do Cazaquistão, são candidatos ao posto

O Fundo Monetário Internacional (FMI) declarou nesta quinta-feira que mantém seus planos para escolher um novo líder em 30 de junho e antecipou que divulgará os nomes dos candidatos na próxima semana, caso não haja mais de três aspirantes.

"Se houver mais de três, o conselho executivo elegerá uma lista reduzida (de três) no final da próxima semana", disse nesta quinta-feira em entrevista coletiva a porta-voz do FMI, Caroline Atkinson. O conselho, integrado por 24 membros que representam os 187 países da instituição, será o responsável por entrevistar os candidatos ao posto e selecionar o novo diretor-geral.

A ministra de Finanças francesa, Christine Lagarde; o governador do Banco Central do México, Agustín Carstens, e o governador do Banco Nacional do Cazaquistão, Grigori Marchenko, aspiram a substituir Dominique Strauss-Kahn à frente da instituição. Atkinson se recusou a esclarecer nesta quinta-feira se há mais interessados no cargo, mas lembrou que o processo para receber candidaturas se encerra neste sábado às 4h (GMT, e 1h de Brasília).

A porta-voz mencionou que ainda não há uma data oficial para a posse do novo diretor-geral depois que for eleito para um mandato de cinco anos, mas o titular interino do organismo, o americano John Lipsky, deve deixar a instituição em agosto.

O FMI vem sendo dirigido por um europeu desde sua criação, em 1945, em virtude de um pacto informal que em contrapartida concede a presidência do Banco Mundial a um americano. Os países emergentes questionaram a legitimidade de um acordo que consideram obsoleto, embora não tenham conseguido se unir em torno de nenhum candidato.

Carstens, que se colocou como o principal rival de Lagarde, a favorita a ocupar o posto, já recebeu o apoio de 12 países latino-americanos, entre eles Colômbia, Peru e Venezuela. A Espanha também expressou seu apoio ao ex-secretário da Fazenda mexicano, que ocupou o posto de subdiretor-geral do FMI após ter sido eleito em 2003.

Lagarde conta com o apoio dos outros países europeus, incluindo os três pesos pesados do Velho Continente: Alemanha, Reino Unido e França. A União Europeia tem um terço dos votos do FMI. Os Estados Unidos são o acionista majoritário do organismo, com 17% do poder de voto, mas não se inclinaram por nenhum dos candidatos em disputa.

Tanto Carstens como Lagarde realizam uma intensa campanha internacional para obter apoio. O mexicano, que nesta semana se reuniu no Canadá com altos funcionários do país, deve visitar Nova Délhi na sexta-feira e participar na segunda-feira de um almoço informativo em Washington com o título: "Por que o mundo precisa de um FMI efetivo e independente?". Sua viagem global continuará posteriormente por Pequim e Tóquio.

Lagarde, que já visitou o Brasil, Índia e outros países, esteve esta semana na China. A ministra disse nesta quinta-feira em declarações à imprensa chinesa estar "muito satisfeita" com as reuniões "muito positivas" que teve no país, onde não conquistou, no entanto, um apoio explícito à sua candidatura. Mesmo assim, lidera as apostas para substituir Strauss-Kahn, o que prolongaria o domínio europeu à frente do FMI.

Analistas do organismo multilateral consideram que a falta de coesão entre os emergentes favorece Lagarde que, caso seja escolhida, se tornaria a primeira mulher a liderar o FMI. "A falta de união entre os mercados emergentes é provavelmente o fator mais surpreendente e significativo desta campanha", declarou na quarta-feira Fred Bergsten, diretor do Instituto Peterson de Washington. Em sua opinião, a rivalidade entre os emergentes parece ser maior do que seu desejo de obter a direção do FMI e nesse sentido mencionou a rixa de Brasil e México pela liderança da América Latina.

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