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Madri, 15 dez (EFE) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, antecipou hoje que as próximas previsões de crescimento da economia mundial que o órgão publicará em janeiro serão piores que as atuais.

Durante discurso na conferência "Espanha no Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial: Cinqüenta anos de relação", realizado em Madri, Strauss-Kahn afirmou que as perspectivas globais continuam "deteriorando-se", o que indica que 2009 vai ser um ano "muito difícil".

O diretor-gerente do FMI ressaltou ainda que não crê que as políticas que estão sendo adotadas para enfrentar a crise sirvam para impulsionar o crescimento, e mostrou sua preocupação com que a reação internacional esteja sendo "pequena, mal inspirada quanto a seu desenho e duvidosa quanto à sua implantação".

"Os alertas antecipados estão muito bem, mas de nada servem se os Governos não os ouvem, porque quando chegam avisos como as previsões (do FMI), às vezes são questionados", acrescentou.

Neste sentido, considerou necessário institucionalizar as reuniões do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e principais emergentes), para poder colocar em prática os acordos que saírem desses encontros.

No entanto, perguntou se o número de membros é o adequado, dado que "grandes países" não estão presentes.

Além disso, explicou que se o G20 quer desenvolver um papel importante, deverá levar mais em conta organismos multilaterais como o FMI, pelas vantagens de sua afiliação universal (166 membros que representam 80% do Produto Interno Bruto mundial).

Para ele, a responsabilidade da comunidade internacional não está só em reformar tecnicamente o sistema financeiro, mas em "demonstrar ao homem comum que a economia de mercado tem um rosto ético", tendo como centro de atuação "a humanidade e a transparência, mais que a opacidade e a cobiça".

Se esta mudança de valores não ocorrer, pode haver distúrbios sociais, advertiu.

Apesar de tudo, Strauss-Kahn disse que "seria injusto" não reconhecer que foram dados passos importantes para resolver a crise mundial, mas ressaltou que ainda resta muito a fazer se o que se deseja é evitar que a crise se prolongue além de 2009.

Para conseguir este objetivo, afirmou que são necessárias políticas ativas voltadas a abrir os fluxos de crédito para restaurar a confiança nos mercados, resistir à queda da demanda privada com estímulos fiscais e apoiar a liquidez de países emergentes.

Sobre a restauração da confiança, mostrou-se partidário a uma intervenção estatal "clara" nos mercados, e defendeu recapitalizar as entidades financeiras e eliminar os ativos considerados tóxicos para seus balanços.

Strauss-Kahn reconheceu que nem todos os países podem adotar a política de conceder incentivos fiscais, mas considerou adequado que seu impacto alcance em média 2% do PIB nacional. EFE mmr/db

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