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Teresa Bouza.

Washington, 8 out (EFE) - A economia brasileira crescerá 5,2% este ano e 3,5% em 2009, enquanto a América Latina registrará expansão de apenas 3,2% no próximo ano, segundo o relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais", divulgado hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

A nova projeção de crescimento para este ano é maior do que a de abril, quando o Fundo previu expansão de 4,8% da economia brasileira em 2008.

Além disso, o FMI disse que, em 2009, o Brasil crescerá menos do que a média dos anos anteriores.

A entidade também disse que a política de ajuste monetário foi apoiada por um aumento de 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) na principal meta de superávit fiscal para 2008.

O FMI prevê que a inflação deste ano ficará em 5,7%, frente a 3,6% em 2007, e será de 5,1% em 2009.

O país registrará déficit em conta corrente de 1,8% em 2008 e 2% em 2009.

Em relação à América Latina, a atividade econômica na região continuará se desacelerando devido, em grande parte, à adversa atmosfera externa, que situará o crescimento da região em 3,2% em 2009, menos do que os 4,6% de expansão previstos para este ano, segundo o FMI.

Em julho, o Fundo tinha previsto que a região cresceria 4,5% este ano e 3,6% em 2009.

Em seu relatório, o FMI explica que foi obrigado a revisar para baixo suas previsões para 2009 mais do que o esperado devido à fragilidade global, à queda nos preços das matérias-primas e às maiores dificuldades para encontrar financiamento externo.

A região, lembra a instituição, enfrenta agora a "estranha combinação" de desaceleração da atividade, condições externas mais adversas e inflação ainda elevada.

Os economistas do FMI indicam que, após quatro anos de forte crescimento da produção, o ritmo desacelerou na maioria das economias da região no primeiro semestre deste ano por causa da queda das exportações.

Enquanto isso, a demanda doméstica "segue bastante forte", mas o FMI prevê sua redução por causa da desaceleração da economia global e do possível endurecimento adicional das políticas monetárias para conter o avanço da inflação.

Nesse sentido, o Fundo calcula que a inflação da região ficará em 7,9% este ano e em 7,3% em 2009.

Além disso, o órgão prevê que em países como Bolívia, Paraguai e Venezuela, a inflação supere os 10%.

O relatório também destaca que os analistas independentes acreditam que as taxas reais de inflação na Argentina são muito maiores que as oficiais, que situam o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em 9,1% este ano e no próximo.

A alta dos preços também foi maior do que o previsto nos países onde os bancos centrais definem meta para a inflação, como Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México, embora os aumentos tenham sido menores do que no resto da região.

Por outro lado, os economistas esperam que o superávit em conta corrente, de 0,4% do PIB latino-americano em 2007, se transforme em déficit este ano e no próximo, mas em níveis de 0,8% e 1,6% do PIB, respectivamente.

Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela serão os únicos que conseguirão manter superávit em 2008 e 2009, segundo o FMI.

O relatório alerta que a região enfrenta riscos significativos e destaca que se o crescimento global, que deve ser de 3,9% em 2008 e de 3% em 2009, se desacelerar mais que o esperado, poderia haver uma forte queda nos preços das matérias-primas, um dos pilares da economia da região.

A isso se soma o perigo adicional de o acesso às fontes de financiamento externo continuar piorando.

"Esse cenário desaceleraria ainda mais o crescimento na região, e embora a inflação se moderasse consideravelmente, o setor externo poderia ficar sujeito a uma forte pressão", diz o relatório.

Por países, o FMI aumenta suas expectativas de crescimento da economia do Peru, com aumento de 7% do PIB em 2009 e 9,2% este ano.

A maioria dos outros países não deve crescer mais do que 4% em 2009: Chile (3,8%), Argentina (3,6%), Colômbia (3,5%) e Equador (3%).

Venezuela e México devem crescer apenas 2% e 1,8%, respectivamente, em 2009.

O FMI prevê que a atividade econômica diminuirá também na América Central e no Caribe, devido à crise nos Estados Unidos, aos menores fluxos de remessas e aos maus presságios para o setor turístico, entre outros fatores. EFE tb/wr/db

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