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Fundo pede ajuste fiscal e diz que economia americana ainda corre riscos, com problemas nos bancos e desemprego

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta quarta-feira sobre "graves" consequências dentro e fora dos Estados Unidos caso o país não aumente "o mais rápido possível" o limite da dívida federal fixado em US$ 14,29 trilhões.

"O teto da dívida federal deveria ser incrementado o mais rápido possível para evitar um eventual choque com graves consequências na economia e nos mercados financeiros mundiais", manifestou nesta quarta-feira o FMI em seu relatório anual sobre a economia americana.

As conversas entre a Casa Branca e o Congresso para elevar o teto de endividamento estão em ponto morto, o que aumentou os temores de que não se consiga um acordo para a data limite de 2 de agosto e os EUA tenham que declarar uma moratória.

"Sabemos que os participantes (deste debate) estão cientes dos riscos potenciais de uma falta de pagamento da dívida por parte dos EUA e evitarão esses riscos", disse em entrevista coletiva John Lipsky, diretor-gerente interino do FMI.

O próprio presidente dos EUA, Barack Obama, reconheceu durante entrevista coletiva nesta quarta-feira na Casa Branca que, se o país declarar em moratória pela primeira vez em sua história, as consequências seriam "significativas e imprevisíveis". Por isso, pediu um acordo. "O dia 2 de agosto é uma data muito importante. Não há motivo por que não devamos agir agora", destacou Obama, que propôs o fim das vantagens tributárias atualmente existentes entre os americanos mais ricos, como forma de aumentar a arrecadação de impostos.

Lipsky, por sua vez, afirmou que, se os EUA não agirem com rapidez nessa frente, poderiam observar um "rebaixamento" da qualificação de sua dívida soberana. "Ninguém quer colocar a qualidade creditícia dos EUA em perigo, ninguém quer que os EUA declarem moratória. Ou seja, temos de aproveitar este momento e fazê-lo em breve", ressaltou Obama, diante dessas advertências.

O FMI alertou que tanto o rebaixamento da dívida quanto um aumento repentino das taxas de juros por maus resultados fiscais teriam repercussões globais "consideráveis" dado o papel central dos bônus do Tesouro dos EUA nos mercados mundiais. O relatório do Fundo destaca que a dinâmica da dívida americana é "insustentável" e adverte aos EUA que perder a credibilidade fiscal seria "sumariamente prejudicial".

Dado esse cenário, o organismo multilateral insistiu que a consolidação da política fiscal deve seguir "seu curso". "O principal desafio da política econômica será realizar um esforço considerável e durável de consolidação fiscal garantindo, ao mesmo tempo, que a recuperação ainda frágil siga seu curso", indica o FMI em seu relatório. Para a entidade, o ajuste fiscal deveria começar já no ano que vem.

Segundo o FMI, um ajuste primário estrutural acumulativo de sete pontos percentuais e meio do Produto Interno Bruto - PIB, cerca de um ponto percentual e meio por ano até 2016, alcançaria o objetivo de estabilizar o coeficiente de endividamento até meados da década e, depois, reduzi-lo gradualmente.

O FMI destacou ainda que a política monetária flexível do Federal Reserve (Fed, banco central americano) provavelmente deve se manter adequada durante "algum tempo", desde que as perspectivas de inflação não mudem "consideravelmente".

O estudo publicado nesta quarta-feira recomenda aos EUA continuar avançando na implementação "oportuna e exaustiva" da reforma financeira. Segundo o FMI, o processo de saneamento dos bancos ainda não foi concluído. O organismo afirmou que "o nível estrutural de rentabilidade ainda é baixo e o aumento dos coeficientes de capitalização também reflete uma tendência a acumular ativos de maior risco".

A isso se soma o fato de que os mercados hipotecários ainda dependem em grande medida do apoio governamental, lembrou o relatório. O FMI prevê que a economia dos Estados Unidos cresça 2,5% em 2011 e 2,75% em 2012, com uma lenta diminuição do desemprego.

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