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Primeira prévia do mês mostrou alta de 0,05%, surpreendendo até as estimativas da própria Fipe, de 0,17%

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O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Antonio Evaldo Comune, reduziu nesta quinta-feira, de 0,27% para 0,08%, a projeção para a taxa de inflação de junho na capital paulista. Em entrevista à Agência Estado, ele disse que a modificação foi feita por conta do comportamento favorável da inflação logo no início de junho, quando o indicador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apresentou taxa de 0,05% na primeira quadrissemana do mês ante taxa de 0,31% no fechamento de maio.

Além de representar uma desaceleração de 0,26 ponto porcentual ante a taxa do final do mês passado, o resultado da primeira leitura do IPC de junho significou o menor número para a inflação em São Paulo desde o encerramento de junho de 2010, quando a taxa apurada foi de 0,04%. O número anunciado pela Fipe hoje surpreendeu o próprio Comune, que trabalhava com uma estimativa de taxa de 0,17%, e os economistas do mercado financeiro, que previam taxa de 0,14% a 0,29%, segundo levantamento da Agência Estado.

"Quem tá ajudando a inflação atualmente? Energia e Alimentação", disse Comune. "Basicamente, a gasolina e o álcool estão ajudando no grupo Transportes, enquanto, na Alimentação, há várias contribuições, com destaque para a laranja e o frango", destacou.

Segundo a Fipe, o grupo Transportes foi o grande responsável pela desaceleração na primeira quadrissemana de junho, já que apresentou queda de 0,74% ante alta de 0,19% no fechamento do mês passado e representou alívio de 0,11 ponto porcentual na formação da taxa geral. O grupo Alimentação, por sua vez, saiu de uma alta também de 0,19% no final de maio para um recuo de 0,29% e representou alívio de 0,07 ponto porcentual para o IPC.

Entre os itens, justamente os listados por Comune foram os que mais ajudaram na desaceleração da inflação para a taxa de 0,05% na primeira quadrissemana. Com uma queda de 17,83%, o etanol liderou o ranking de contribuições de baixa para o IPC, com 0,11 ponto porcentual negativo. Na sequência, ficaram a laranja (queda de 12,08% e contribuição de -0,04 ponto porcentual); o frango (baixa de 4,22% e alívio de 0,04 ponto porcentual) e a gasolina (recuo de 1,29% e contribuição de -0,03 ponto porcentual).

Questionado se o comportamento atual dos Transportes e da Alimentação não poderia fazer com que a Fipe trabalhasse com uma estimativa de deflação para o IPC em junho, o coordenador do índice respondeu que, por enquanto, ainda trabalha com um cenário de estabilidade para o índice. "Nossas pesquisas de ponta nos fizeram calcular uma previsão de taxa zero para a segunda e a terceira quadrissemanas e uma variação positiva de 0,08% para o fechamento do mês", comentou.

Na abertura por grupos das previsões de Comune, o cenário para a Alimentação e para os Transportes é de uma aceleração na queda até uma parte do mês. Já na última quadrissemana, que representa a taxa final de junho, o panorama esperado pelo coordenador é de um declínio menos intenso para os grupos.

Para a Alimentação, ele projetou baixa de 0,35% na segunda quadrissemana; recuo de 0,51% na terceira; e variação negativa de 0,37% no final de junho. Para o grupo Transportes, Comune previu declínio de 0,88% na segunda leitura do mês; baixa de 0,83% na terceira; e recuo de 0,64% no encerramento.

Segundo o coordenador do IPC da Fipe, no grupo Transportes, há uma expectativa natural de que a queda dos combustíveis fique menos intensa no decorrer do mês. Quanto ao grupo Alimentação, ele disse que o tomate, que subiu 5,28% na primeira quadrissemana de junho, é um eventual candidato a "estragar a festa" da desaceleração do IPC até o final do mês.

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