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Finanças Pessoais
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Mercado de uma empresa só

Bovespa Mais foi lançado em 2006, mas até agora apenas a Nutriplant fez uso do sistema, captando R$ 40 milhões

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo |

A listagem de uma empresa pequena ou média em algum ambiente de negociação de ações depende do nível de maturidade do mercado que as receberá. O ex-superintendente geral da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) Gilberto Mifano afirma que, nos Estados Unidos, os lançamentos mais frequentes de ações são de empresas que captam entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, fatia abaixo da considerada mínima no Brasil.

Ele acredita que o futuro da Bolsa depende das pequenas e médias empresas, mas reforça o coro de que o próprio mercado ainda não está preparado. Atualmente, o executivo é um dos sócios da Pragma, gestora de patrimônio que aconselha empresários e fundações na criação de valor.

“A Bolsa sempre esteve de olho nesse segmento, mas para fazer os lançamentos é preciso que os investidores tenham apetite por essas empresas”, afirma. “A onda de ofertas iniciada em 2004 tem sido liderada pelos estrangeiros. Precisamos de tempo para evoluir e atrair investidores locais que apostem no crescimento das companhias sem ter a necessidade de girar muito rapidamente suas carteiras.”

Bovespa Mais

AE
O mercado de acesso da Bovespa tem apenas uma empresa, a Nutriplant
“Uma operação pequena só se justifica em mercados de acesso”, diz Humberto Casagrande, diretor geral do fundo de investimentos Terra Viva. “O desenvolvimento desse tipo de filão só ocorrerá com um refinamento do nosso mercado de capitais.” Para ele, o Brasil ainda depende de mecanismos de incubação de empresas para prepará-las ao mercado de ações.

Desde 2006, a bolsa possui o Bovespa Mais, criado justamente para facilitar o ingresso das pequenas e médias. Até agora, no entanto, apenas a Nutriplant fez uso do sistema, captando R$ 40 milhões.

José Guimarães Monforte, sócio de Mifano na Pragma, diz que o mercado também precisa desenvolver produtos para as pequenas e médias, o que pode diminuir custos e ajudá-las a conquistar seu espaço. “A empresa é pequena ou média porque está começando, e em momento algum a situação esteve tão boa no País para ela ousar”, afirma.

Segundo ele, os bancos de investimento ajudam a criar a imagem de que apenas as grandes podem ir para a Bolsa, mas há espaço para que outros intermediários ofereçam serviços customizados. “Falta o mercado de médias no Brasil, há poucas corretoras que atendem esse segmento.” Monforte foi coordenador do Comitê de Abertura de Capital da Bovespa, vice-presidente da antiga Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e é membro do conselho da Natura Cosméticos.

Candidatos

Esse é o filão que o Banif Investment Bank quer atender. Apesar de acreditar que as empresas ainda terão de seguir o caminho das associações para depois entrar na Bolsa, o superintendente do banco, Mauro Meinberg, acredita que 2010 dará inicio a um ciclo de empresas no Bovespa Mais. “Não será um caminho sem dificuldades. Serão operações pequenas, para grupos restritos de investidores.”

“As ofertas têm sido lideradas pelos grandes. Há uma oportunidade para quem quer fazer as operações das menores”, afirma. O Banif é especializado no atendimento a médias companhias.
 

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