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Em meio à crise em Portugal, empresas incubadas e start-ups chegam ao País dispostas a investir até 1 milhão de euros

A crise econômica que assola Portugal não está apenas trazendo de volta os brasileiros que foram viver no país em busca de melhores oportunidades. Também estão desembarcando no Brasil muitos profissionais e jovens empreendedores portugueses de pequenas companhias, start-ups e até empresas incubadas, que vêem no País a chance de conquistar bons parceiros de negócios e grandes clientes e dar um salto de crescimento que hoje é quase inviável em Portugal.

Confiantes na facilidade proporcionada pelo idioma e dispostos a superar as diferenças culturais entre os dois países e a burocracia local, jovens empresas apostam alto no Brasil na expectativa de alavancar os negócios. É o caso da Ewen Energy, que trabalha com o conceito de eficiência energética e que tem como proposta reduzir o custos com energia de seus clientes .

“Atendemos companhias de setores que são notadamente grandes consumidores de energia, como as indústrias de cimento, vidros e plásticos. Nosso papel é identificar e colocar em prática oportunidades de redução de consumo de energia, já que somos remunerados com base nos resultados obtidos”, afirma Luis Ribeiro, sócio da Ewen Energy.

Investimento de 1 milhão de euros

Diante de um mercado que encolhe a cada ano, a opção de vir para o Brasil soou como algo natural para a empresa, fundada em 2004 na região do Porto. Faturando 1,5 milhão de euros por ano, a Ewen planeja investir, numa primeira etapa, 1 milhão de euros na operação brasileira. Para tanto, os sócios contam com o aporte de capital de um investidor-anjo que deverá financiar boa parte da expansão. “Nosso plano de negócios projeta que o Brasil será responsável por 50% de nosso faturamento em até dois anos”, diz Ribeiro.

De acordo com ele, a ideia é buscar, inicialmente, um parceiro de negócios para prospectar clientes e projetos no Brasil. “Durante a última viagem a São Paulo, há duas semanas, conversamos com alguns interessados. Também voltamos para casa com duas ou três propostas concretas de trabalho”, diz.

Outra jovem empresa disposta a investir no Brasil é a Adclick, que oferece serviços de marketing online. Incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) desde sua criação em 2007, a Adclick já atua no País há quase um ano e meio mesmo sem contar com nenhuma estrutura física no País. Entre seus clientes locais estão sites de compras coletivas e bancos brasileiros.

"Mercado brasileiro está fervilhando"

“Diante das oportunidades de negócios que se apresentaram nesse período, decidimos abrir um escritório em São Paulo. O mercado brasileiro está fervilhando”, afirma o sócio da Adclick, Nuno Morais.

A despeito da burocracia exigida para o início das operações no Brasil e da alta carga tributária, que costumam assustar os empresários recém-chegados, as perspectivas de ganhos no mercado brasileiro são suficientes para justificar os altos investimentos em locação de espaços e contratação de profissionais. Criada em 2005, a ActualSales, abriu em 2008 um escritório no Brasil apenas para ter uma representação formal no País. Mas, depois de dois anos sem resultados significativos, a empresa optou por um investimento mais pesado no Brasil.

Sócio da empresa, Henrique Agostinho não revela o valor do investimento, mas conta que já contratou uma equipe de 18 profissionais desde que chegou ao Brasil há pouco mais de um ano. De acordo com ele, a aposta está valendo a pena. “Além de Portugal e Brasil, temos escritórios no México e na Espanha e atendemos clientes em outros 30 países. Sozinho, o Brasil já representa, em apenas um ano, 25% de nosso faturamento”.

Diante de resultados tão expressivos, a fila de empreendedores portugueses dispostos a cruzar o oceano e investir no Brasil na pára de crescer. De acordo com Agostinho não se passa uma semana sem que ele receba um e-mail de empresários interessados em saber detalhes sobre o mercado brasileiro. “E a cada 15 dias recebo uma mensagem de algum português que está vindo de vez para o Brasi l”, afirma.

A maioria chega ao País em busca de melhores salários e oportunidades de ascensão na carreira. Em alguns casos, a remuneração no Brasil é até 100% superior aos salários oferecidos em Portugal. Nascido no Brasil, o empresário Bruno Augusto, que foi para Portugal em 1999 e abriu a empresa Practical Way há três anos, diz que não é difícil convencer os portugueses a participar de projetos de expansão de suas empresas no Brasil. “Um bom arquiteto da informação chega a ganhar R$ 15 mil no Brasil, mais do que o dobro de um profissional português com a mesma qualificação, que dificilmente recebe mais de 2,5 mil euros (cerca de R$ 5,7 mil) na mesma função”, diz.

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