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Investimentos que começam a ser feitos na Copa 2014, na Olimpíada 2016 e no pré-sal tornam profissionais especializados escassos

Mal começaram a se preparar para atender aos investimentos na Copa do Mundo em 2014 no Brasil, nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e no desenvolvimento das reservas do pré-sal, empresas esbarram na falta de profissionais qualificados. Empresas de engenharia e construção, de eletrohidráulica, de sistemas de aquecimento e de segurança, por exemplo, são disputadas na capital carioca por fornecedores da rede hoteleira e da construção civil.

“Não tem eletricista nem encanador na praça", diz Jorge Craveiro, sócio da Brecan Engenharia. "Se eu quiser um profissional desses hoje, vou ter que esperar alguns meses ou treinar alguém.”

Para dar conta da clientela, a Elecomtec, especializada em sistemas de energia elétrica e aquecimento, treina e paga cursos técnicos e universidade para seus funcionários. A empresa já vinha embalada com a demanda de clientes industriais que buscam mais eficiência energética e corte de custos e agora prepara-se para uma expansão ainda maior por causa dos Jogos.

Para evitar falta de mão-de-obra

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) identificou o risco de apagão na mão-de-obra do Rio de Janeiro e vai apoiar pequenas e médias empresas para a Copa do Mundo e Olimpíadas. O banco estuda ampliar o financiamento do cartão BNDES para capacitação de profissionais da rede hoteleira e de restaurantes. O cartão é o produto da instituição voltado para pequenas e médias empresas.

Com juro de 1% ao mês, o cartão BNDES liberou empréstimos de R$ 2,5 bilhões no ano passado – o triplo do valor desembolsado em 2008. O crescimento deve se manter em 2010, com o começo dos preparativos dos empreendedores para os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo e o pré-sal. Fabricantes de máquinas e construtoras também colhem os reflexos dos bons ventos na economia brasileira, segundo Rodrigo Barcellar, responsável pelo Cartão BNDES.
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A instituição havia anunciado, em janeiro, a criação de uma linha de crédito de R$ 5,8 bilhões para a construção e reformas de estádios e hotéis. O banco de fomento deve financiar, por exemplo, cursos de idiomas para garçons, atendentes, recepcionistas, entre outros profissionais que costumam ter contato com turistas. Empresas do comércio são as que mais procuram apoio do banco via cartão. No fim do ano passado, o cartão passou a apoiar investimentos em inovação de pequenas empresas. São 75 fornecedores de tecnologia que estão credenciados para prestar serviços.

“O turismo que vai surgir por causa da Copa e das Olimpíadas é uma oportunidade de ouro", afirma Barcellar. "Estamos tentando viabilizar serviço de capacitação técnica para a rede hoteleira. Hotéis e restaurantes precisam treinar seus funcionários.”

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