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Contratação de um diretor financeiro pode ajudar a empresa em decisões estratégicas, como levantar capital ou proteger o crédito

Na Quickoffice, que vende um software para criação e edição de documentos em dispositivos móveis, Alan Masarek sempre gostou de mergulhar nos números de seu negócio - quase como se fosse o diretor financeiro, e não o diretor executivo. Isso porque Masarek, que em 2002 ajudou a fundar essa empresa em Plano, Texas, tem formação em finanças. "Sempre usei dois chapéus em minha empresa: o de CEO e o de CFO (chief financial officer  ou diretor financeiro)", disse ele, acrescentando que possui uma equipe de contadores e um controller para ajudá-lo nas funções diárias de contabilidade da empresa.

Isso mudou em 2010, quando ele decidiu contratar um CFO em tempo integral. "Nem toda empresa precisa de um CFO", afirmou Masarek. "Isso depende do grau de dinamismo da empresa. Precisei contratar alguém que funcionasse como meu parceiro de negócios, permitindo que eu me afastasse dos livros para gerenciar melhor outros aspectos do negócio".

CEO da Quickoffice, Alan Masarek contratou um diretor financeiro para que pudesse se dedicar ao gerenciamento da empresa
NY Times
CEO da Quickoffice, Alan Masarek contratou um diretor financeiro para que pudesse se dedicar ao gerenciamento da empresa
Quando as startups crescem, geralmente contratam escritórios terceirizados de contabilidade. Muitas vezes, os contadores cuidam apenas dos impostos e talvez da folha de pagamento. Se a empresa continua a crescer, e suas necessidades de relatórios financeiros tornam-se mais complexas, o diretor executivo pode decidir trazer um controller em tempo integral - que possa assumir a manutenção do livro razão geral e das contas bancárias da empresa. Por outro lado, a entrada de um diretor financeiro está muitas vezes ligada a decisões estratégicas, como realizar análises competitivas de mercado, levantar capital ou proteger o crédito.

O ponto da virada

Um CFO normalmente assume a responsabilidade por análises financeiras, contabilidade e orçamentos, além de supervisionar seguros, bancos, mercado imobiliário, seguro saúde, contas a receber e questões legais.

"Quando o CEO está sendo distraído das atividades geradoras de receita para lidar com questões financeiras ou similares, é preciso que um CFO assuma seu lugar e faça essas coisas acontecerem", explicou Mike Henderson, diretor financeiro da Lendio, empresa com receita anual de US$ 9,6 milhões localizada em South Jordan, Utah, que ajuda pequenos negócios a obter empréstimos. "Quando o CEO começa a sentir a pressão, é preciso agir rapidamente, pois um bom CFO pode oferecer um tremendo apoio e ajudar a evitar alguns dos problemas de crescimento enfrentados pelas empresas".

Independentemente do tamanho, qualquer empresa pode se beneficiar de ter um diretor financeiro para organizar suas finanças e acompanhar seu desempenho. Geralmente, porém, contratar um CFO não se torna essencial até que a empresa atinja um ponto de virada _ muitas vezes de US$ 10 a 20 milhões em receita, segundo Masarek e outros diretores entrevistados para este artigo.

O principal motivo de hesitação para as empresas, naturalmente, é o custo - a maioria dos diretores financeiros recebe salários anuais de seis dígitos. Essa despesa se torna muito mais palatável quando a empresa tem um lucro maior e esses números precisam ser analisados e comunicados.

"Gosto de dizer que um controller está sempre olhando para trás, em sua função de criar relatórios financeiros e fechar os livros", afirmou Masarek. "Mas um CFO está sempre olhando para a frente, como alguém que assumirá as funções de contabilidade sempre envolvido estrategicamente na solução de questões como dívidas e patrimônio, e de como financiar o desenvolvimento da empresa".

As empresas que não possuem receita suficiente para justificar um salário de seis dígitos podem considerar a contratação de alguém para cumprir esse papel em meio período. Por exemplo, quando seu conselho consultivo sugeriu a contratação de um CFO depois que a empresa atingiu US$ 2 milhões em receita, Bibby Gignilliat, fundadora e diretora executiva da Parties That Cook - que organiza workshops de culinária e eventos corporativos para fortalecimento de equipes -, optou por ter um consultor nesse cargo.

Jeff Gustafson, a quem Gignilliat paga US$150 por hora por cerca de oito horas ao mês, assumiu diversos projetos cruciais à empresa, incluindo a construção de um extenso modelo financeiro que demonstrou o impacto de expandir a empresa em novas cidades, contratar mais funcionários e aumentar os preços.

"Isso me permitiu ser a CEO, trabalhar para o negócio em vez de trabalhar no negócio", declarou Gignilliat.

Lidando com investidores

Para as empresas em expansão, um gatilho comum pode ser a decisão de trazer capital de investimento. Nesse caso, o CFO muitas vezes se torna o elo encarregado de manter os investidores atualizados sobre o desempenho da empresa.

Paul M. Doman, diretor executivo do Accurate Group, em Charlotte, Carolina do Norte, que oferece serviços financeiros a bancos e credores hipotecários, tomou em fevereiro a decisão de contratar um diretor financeiro para ajudar a gerenciar seu relacionamento com a Evolution Capital Partners, um fundo de capital privado localizado em Cleveland.

"Minha expectativa para um CFO tende a ser alta", declarou Brendan D. Anderson, sócio da Evolution Capital. "Eu quase vejo o CFO como o próximo passo em relação ao CEO, pois eles entendem tudo e conseguem comunicar, verbalmente ou por escrito, como o negócio está se saindo e como o plano está se formando - além de prever o rumo de orçamentos e projetos".

A previsão de desempenho é especialmente importante se uma empresa tem o objetivo de abrir o capital. Foi por isso que Karen S. Camp se juntou à VirtuOz, localizada em Emeryville, Califórnia, que oferece agentes virtuais de marketing, vendas e suporte online. A VirtuOz, que tem 75 funcionários e mais de US$ 10 milhões em receita anual, está pensando em lançar uma oferta pública inicial nos próximos anos _ um processo que Camp já conduziu cinco vezes em outras empresas, como investidor e como chefe financeiro.

"Embora ainda não sejamos uma empresa pública, algum dia faremos uma oferta pública ou seremos adquiridos por uma empresa de capital aberto", explicou Camp. "Em minha função como CFO, tenho de garantir que as porcas e parafusos, os padrões de relatórios e sistemas de controle estejam de acordo com os padrões das empresas de capital aberto".

Além de suas obrigações internas, Camp disse que uma parte de importante de seu trabalho como CFO é construir visibilidade para a empresa junto a banqueiros e analistas. "Tudo se resume na linguagem e comunicação, e em entender o que eles precisam ouvir", afirmou ela.

Preparando-se para a "due diligence"

Os CFOs também podem trazer um enorme valor a uma empresa quando esta considera alguma aquisição, ou se prepara para ser comprada. Por exemplo, quando Sharon Napier desmembrou sua agência de marketing Partners & Napier de uma empresa holding, em 2004, ela queria levar sua agência a crescer rapidamente.

"Eu queria que a agência fosse reconhecida nacionalmente ", disse ela. "Para isso, imaginei que provavelmente precisaríamos fazer uma aquisição ou sermos comprados. E ter um CFO a bordo para gerenciar isso foi parte da estratégia".

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Ela contratou Jim DiNoto para o cargo em 2001, e uma parte crucial da função dele era analisar o mercado em busca de potenciais compradores ou aquisições _ e assegurar que os livros da empresa estivessem prontos para enfrentar qualquer processo de "due diligence".

O ponto de virada para a Partners & Napier veio quando a empresa iniciou conversas com uma holding recém-formada, a Project: WorldWide, acerca de uma aquisição. Segundo Napier, DiNoto foi responsável por conduzir todo o processo até a consolidação do acordo, em janeiro.

"Jim assumiu a frente na entrega de dados que a Project: WorldWide precisava receber de nós", explicou ela. "Ele teve de interagir diariamente, por oito semanas, com o CFO deles e com a equipe de fusões e aquisições, abordando cada questão financeira. Uma aquisição pode dar errado se não conseguirmos fornecer os dados corretos ou pensar adiante no que pode ser necessário _ e é nesse aspecto que um CFO como Jim é de valor inestimável a um negócio".

A conclusão é provavelmente a seguinte: contrate um CFO assim que puder pagar por um.


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