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Para cada empresário que abre um negócio por necessidade, existem dois interessados na oportunidade do mercado

Entre a identificação de uma boa oportunidade de negócios ou a necessidade de aumentar o capital – dois dos principais motivos que levam ao empreendedorismo – muitos brasileiros que abrem uma empresa já se espelham na primeira opção. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2010), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) em parceria com o Sebrae, mostra que, atualmente, para cada empreendedor por necessidade no Brasil, existem dois por oportunidade. Esse índice, que é o maior alcançado pelo País desde 2000, quando foi inserido na pesquisa, reflete um aumento da capacidade empreendedora do brasileiro.

Apesar de a proporção ainda ser praticamente igual à média dos 60 países entrevistados (que é de 2,2), o Brasil já apresenta sinais de impulso ao empreendedorismo. “Os bons resultados podem ser atribuídos à geração de emprego, ao bom momento econômico, ao aumento da escolaridade e à estabilidade econômica do País”, afirma Luiz Barreto, presidente do Sebrae.

Em 2002, para cada empreendedor brasileiro por necessidade havia 0,7 por oportunidade. A relação se inverteu em 2003, mas somente em 2010 o País passou a ter mais de dois empreendedores por oportunidade. Em 2009, a relação foi de 1,6. Nos países desenvolvidos, porém, a razão é bastante superior. Nos Estados Unidos, por exemplo, a relação é de 2,4, e na Islândia sobe para 11,2. “O empresário que abre um negócio motivado pela oportunidade tem muito mais chances de se formalizar e dar certo”, diz Eduardo Righi, diretor executivo do Instituto.

O estudo do IBQP também mostrou qual a área de atuação mais procurada pelos empresários que entram no negócio motivados pela oportunidade. De cada 100 empresários nesta situação, 25% se tornam varejistas. As outras áreas mais demandadas são as de alimentação e hospedagem (15%), as atividades imobiliárias (13%) e a indústria de transformação (10%).

Desafio à vista

Um dos grandes impasses ao desenvolvimento das MPEs é a inovação. Mesmo identificando boas oportunidades no mercado, segundo a pesquisa, apenas 16,8% dos empreendedores brasileiros consideram o produto ou serviço que oferecem novo para os consumidores. O país que atingiu melhores resultados nesse quesito foi o Chile - com 52,59% – que prioriza o aumento de sua industrialização. “Investir em novos produtos e serviços é fundamental para que as empresas aumentem sua competitividade. Muitas vezes, até a melhora da gestão já facilita o negócio”, diz Barreto.