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Criada há um ano, a Home Angels já tem 115 franqueados; meta é ter 500 unidades em até cinco anos

Elaine Cristina Barbosa Alves trabalhava já era enfermeira e fazia atendimentos médicos domiciliares quando decidiu virar empresária - sem mudar de ramo. Há pouco mais de um ano, com um empréstimo, ela abriu sua primeira franquia da Home Angels, uma microfranquia de cuidadores de pessoas do Grupo Zaiom. “Há muito mais demanda do que sou capaz de atender. Já abri a segunda unidade", afirma.

Home Angels investe no treinamento dos profissionais responsáveis pela supervisão
Alexandre Carvalho / Fotoarena
Home Angels investe no treinamento dos profissionais responsáveis pela supervisão
A rede brasileira Home Angels, criada há pouco mais de um ano, já tem 115 franqueados. O empreendimento nasceu quando os sócios do Grupo Zaiom, Artur José Hipólito e Marco Imperador, perceberam a falta de profissionais capacitados no mercado para cuidar de idosos. “Tenho avós e não conseguia contratar alguém qualificado para ficar com elas. Foi assim que vi a oportunidade”, diz Imperador.

O profissional da microfranquia pode ser contratado pelo tempo que o cliente desejar, não havendo um limite mínimo estabelecido. Os cuidadores oferecem serviços como visita e companhia para idosos, cuidados médicos de pós-operatório e atendimentos para gestantes e deficientes. Segundo Imperador, o potencial do empreendimento é grande e o mercado, promissor. “A expansão tem sido elevada, estamos surpresos com a procura dos clientes”, afirma. “Temos mais 18 franqueados em treinamento para a Home Angels, que é o ramo que mais cresce dentre as nossas marcas. Em três ou cinco anos queremos ter 500 unidades”.

A Home Angels tem aproximadamente cinco mil clientes, das classes A e B, em todo o Brasil. Seu maior empecilho para o crescimento da Home Angels é a falta de profissionais capacitados para o atendimento. “O trabalho do cuidador sempre precisa de ajustes, por isso recomendamos uma boa supervisão”, afirma Imperador.

Durante o período contratado, os cuidadores recebem o acompanhamento semanal de um supervisor. São emitidos relatórios diários e mensagens enviadas aos clientes sobre o atendimento prestado.

Artur José Hipólito, presidente e fundador do Grupo Zaiom
Alexandre Carvalho / Fotoarena
Artur José Hipólito, presidente e fundador do Grupo Zaiom
Para adquirir uma franquia do empreendimento não é necessário ter sede própria, já que o trabalho baseia-se no treinamento dos profissionais e atendimento na residência dos clientes. A abertura do negócio requer um investimento de R$ 15 mil; outros R$ 5 mil são gastos em treinamento e divulgação da marca. “Temos uma demanda muito grande e o número de franqueados ainda é insuficiente. Há unidades de São Paulo atendendo o interior”, diz o empresário.

A formação dos empreendimentos

A microfranquia de cuidadores pertence ao Grupo Zaiom, uma holding especializada em franquias de baixo investimento. O negócio foi fundado em 2008 por Hipólito, advogado e presidente do Grupo, e sua esposa Léa Bueno, engenheira civil e diretora financeira da empresa. Com experiência no setor de franquias por meio de sua atuação como CEO do Grupo Multi - que reúne diversas marcas de escolas de ensino de idiomas, profissionalizante e de informática - o empresário voltou-se ao ramo das microfranquias. Hipólito também baseou-se em uma experiência pessoal para o negócio: seu filho tem déficit de atenção e sua filha, dislexia.

Com a ajuda de Léa, foi aberta a primeira franquia do Grupo, a Tutores - direcionada ao reforço escolar. O sucesso obtido fez com que o empresário ampliasse o negócio e convidasse Imperador, formado em administração de empresas e ex-diretor do Grupo Multi, para auxiliá-lo no processo. Foi assim que surgiram outras seis microfranquias: Doutor Faz Tudo (serviços de manutenção), Amigo Computador (manutenção de equipamentos), The System (soluções em TI para pequenas empresas), Dog Relax (cuidados e passeios) e Dr. Jardim (manutenção de jardins e piscinas), além da Home Angels. Os serviços das 400 franquias do grupo já estão presentes em 20 estados brasileiros - há planos de chegar ao México e a outros pontos da América Latina. O faturamento do grupo em 2009 foi de R$ 30 milhões.

Franqueada abriu segunda unidade para acompanhar a demanda do mercado
Divulgação
Franqueada abriu segunda unidade para acompanhar a demanda do mercado
De enfermeira a empresária

Na primeira franquia aberta por Elaine em Campinas, interior de São Paulo, foram investidos R$ 10 mil, contratados 25 profissionais fixos e 15 plantonistas para emergência. A supervisão e a seleção da equipe são feitas pela empresária. O critério para a escolha dos profissionais: que tenham curso de cuidadores, sejam auxiliares de farmácia, técnicos de enfermagem ou enfermeiros.

Com as duas unidades, seu faturamento já alcança R$ 40 mil por mês. A maioria dos pacientes atendidos é idosa e não está acamada.

A concorrência dos cuidadores autônomos é forte, mas a enfermeira diz perceber que os clientes sentem mais confiança nos serviços prestados por uma empresa. “Você tem que fidelizar o cliente. Sempre faço a supervisão nas casas e acompanho o trabalho realizado para garantir a qualidade”, diz a empresária.

O custo do serviço varia de acordo com a complexidade do tratamento, carga horária e o grau de dependência do paciente. Na franquia de Elaine, 12 horas de atendimento durante os sete dias da semana com pacientes que necessitem de um atendimento básico custam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil mensais.

O treinamento, salienta a rede, é essencial. “Muitos profissionais acreditam que para ser um cuidador basta tratar os pacientes com amor e carinho. Mas é preciso também ter responsabilidade, paciência e estar qualificado para o serviço”, afirma Jorge Roberto Afonso de Souza Silva, presidente da Associação dos Cuidadores de Idosos de Minas Gerais (Aciminas).

Um amplo mercado

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil já tem mais de 21 milhões de pessoas com mais de 60 anos. É nessa faixa etária que os serviços dos cuidadores são mais requisitados, já que as famílias dispõem, muitas vezes, de pouco tempo para cuidar dos parentes que precisam de um atendimento contínuo. “É cada vez mais frequente a contratação de profissionais terceirizados”, diz Silva. “Hoje, contratar um cuidador é uma necessidade e não mais uma questão de luxo. No futuro isso será ainda mais comum”.

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