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Índice de Cidades Empreendedoras realizado pela Endeavor levou em conta 56 indicadores para 32 cidades brasileiras

A cidade de São Paulo foi considerada pela Endeavor como a mais empreendedora do país. A segunda edição do estudo Índice de Cidades Empreendedoras (ICE 2015) apontou o poder econômico do município, os altos investimentos e o hub logístico como fator principal para a escolha. Florianópolis e Vitória completam o pódio do ranking.

Juliano Seabra (Endeavor), Udo Döhler (Prefeito de Joinville), Luciano Rezende (Prefeito de Vitória), Wilson Poit (Poit Energia, SP Negócios)
Divulgação
Juliano Seabra (Endeavor), Udo Döhler (Prefeito de Joinville), Luciano Rezende (Prefeito de Vitória), Wilson Poit (Poit Energia, SP Negócios)

São Paulo aparece como referência no ambiente empreendedor por ter um mercado que representa 10% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, concentra 60% de todos os investimentos em capital de risco e tem uma estrutura logística avançada, com o maior aeroporto do país e a proximidade ao porto de Santos.

Segundo Juliano Seabra, diretor geral da Endeavor, além do porte da cidade, a evolução das políticas públicas e a preocupação da prefeitura em melhorar o cenário também foram determinantes. “O SPNegócios [empresa de economia mista com o objetivo de melhorar o ambiente de negócios na cidade] é um grande exemplo, mas o fato de ser a primeira colocada não significa que está ótimo. Tem muito espaço para evoluir”, comenta.

O destaque de Florianópolis é devido a mão de obra qualificada com mais de 60% dos universitários formados em cursos bem avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). ” A cidade é um centro de inovação e a mão de obra é qualificada e muito mais barata do que em São Paulo”, afirma Seabra.

A análise adotou nova metodologia e uma maior abrangência geográfica neste ano. Foram analisadas 32 cidades por meio de 56 indicadores, divididos em 7 pilares considerados de importância para a atividade empreendedora: ambiente regulatório (impostos e burocracia), infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano (qualidade da mão de obra)  e cultura empreendedora (potencial empreendedor e imagem do empreendedorismo).

De acordo com Seabra, a abrangência maior do estudo permite uma visão mais ampla do cenário brasileiro e traz até uma surpresa. “Entre as 15 cidades melhor colocadas, temos seis que não são capitais”, comenta. Campinas (5ª), São José dos Campos (6ª), Joinville (9ª), Maringá (11ª), Ribeirão Preto (12ª) e Sorocaba (15ª) são as cidades mencionadas por Seabra.Nas dez primeiras posições são três municípios no Estado de São Paulo. Além de outras duas cidades da região Sudeste, uma do Nordeste e outras quatro do Sul.

O Nordeste apresenta os melhores índices de cultura empreendedora, no entanto perde pontos no quesito infraestrutura, ambiente regulatório e acesso a capital. Recife é um destaque, na 4ª posição do ranking. Os outros municípios da região figuram da metade para baixo do ranking e dominam as últimas posições: João Pessoa (22ª), Aracaju (23ª), Salvador (24ª), Natal (25ª), São Luís (26ª), Fortaleza (30ª), Teresina (31ª) e Maceió (32ª).

O ranking completo do Índice de Cidades Empreendedoras da Endeavor foi divulgado nesta quarta-feira (03)
Divulgação/Endeavor
O ranking completo do Índice de Cidades Empreendedoras da Endeavor foi divulgado nesta quarta-feira (03)

Painel

Em um painel com Seabra, Wilson Poit, presidente da SPNegócios, Udo Döhler, prefeito de Joinville, e Luciano Rezende, prefeito de Vitória, foram debatidos os impactos do empreendedorismo na gestão pública e os esforços dos municípios para incentivar a atividade empreendedora.

O prefeito de Vitória, 3ª colocada no índice, disse no evento que o empreendedorismo é fundamental para cidade e que o incentivo foi, inclusive, uma proposta de campanha. “Nos últimos três anos o município perdeu 30% do orçamento por conta da crise e do fim do Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias). Investir na atividade empreendedora é uma solução para esse problema, a cidade tem uma vocação criativa muito forte”, afirma.

Para Udo Dohler, prefeito de Joinville (9ª), apesar da economia do município estar centrada no setor automotivo e de peças, há uma preocupação com o futuro. “Esse modelo ainda deve prosperar por mais duas décadas, mas já da sinal de esgotamento e temos de procurar outras alternativas”, diz.

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