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Cartas de crédito no valor de até R$ 15 mil para microfranquias serão concedidas nas 42 comunidades cariocas pacificadas

O projeto Franquias para Todos, que estimula a abertura de unidades franqueadas ou expansão de franquias já existentes por moradores de comunidades pacificadas do Rio de Janeiro, foi inaugurado nesta quinta-feira (29) na Rocinha, em São Conrado, zona sul da capital fluminense, considerada a maior favela da América Latina.

O projeto tem o objetivo de emitir cartas de crédito para o financiamento de franquias nas 42 áreas com unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e é uma parceria da Associação Brasileira de Franchising do Rio de Janeiro (ABF-Rio) com a Agência Estadual de Fomento (AgeRio).

Montante inicial de crédito oferecido às comunidades pacificadas será de R$ 1,5 milhão
Marcelo Horn/ GERJ
Montante inicial de crédito oferecido às comunidades pacificadas será de R$ 1,5 milhão

O presidente da ABF-Rio, Beto Filho, disse que o Franquias para Todos seguirá agora para as demais áreas de UPPs, que reúnem 105 comunidades. No dia 12 de novembro, o projeto será levado para o Complexo da Maré, localizado próximo ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Tom Jobim.

“É a democratização do sistema de franquia brasileiro”, disse Beto Filho, acrescentando que essa é uma boa oportunidade para formar novos empreendedores e micronegócios, “descobrindo talentos e habilidades nessas comunidades, com todo o apoio de um conjunto de entidades que trabalham para criar esse novo cenário, de estar dentro das comunidades”.

As cartas de crédito têm valor de até R$ 15 mil para microfranquias. Beto Filho esclareceu que além de estimular a profissionalização de pequenos negócios, o projeto mostra que ofranchising “não é uma coisa elitizada”. O financiamento tem juros de 3% ao ano e os recursos são oriundos da Age Rio. Os franqueadores acompanham o desenvolvimento dos franqueados, que recebem treinamento do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa do estado (Sebrae-RJ).

Moradora da Rocinha, Sarita Dutra trabalha por conta própria há mais de 20 anos fazendo almoços, jantares e ceias de Natal e Ano Novo mas, devido à atual crise econômica do país, ficou um tempo com as atividades paradas. Sarita conta que viu no projeto Franquias para Todos a oportunidade de profissionalizar seu negócio, aproveitando a estrutura oferecida pelas redes de franqueadores. “Tirou da minha cabeça que franquia era coisa só para rico. Agora vi que é acessível a qualquer um, é popular”. Ela está estudando a possibilidade de pegar crédito para investir na área de alimentação, no ramo de festas, eventos e bufê. “É nessa área que eu gosto de atuar”.

Inicialmente, a Age Rio vai oferecer às comunidades pacificadas R$ 1,5 milhão, mas de acordo com o presidente da entidade, José Domingos Vargas, não há limite para os interessados. A operação é efetuada mediante análise de crédito do tomador e da viabilidade do negócio. Vargas frisou que a parceria com a ABF-Rio “contribui com a formalização e geração de mais empregos”.

Treze redes de microfranquias em diversos segmentos participaram do lançamento do projeto na Rocinha, entre os quais higiene e limpeza, informática, jardinagem e alimentação. “A mensagem foi bem aceita. Temos que juntar pessoas que têm sangue empreendedor nas comunidades e vontade de ter um projeto de vida diferente, associá-las ao crédito, dar apoio e treinamento. Certamente, elas vão dar certo”, ressaltou Beto Filho.

A estimativa é que, somente na Rocinha, existam em torno de 12 mil negócios de diferentes modalidades. Com o projeto, a perspectiva é elevar esse número, “porque o público é garantido”. De acordo com pesquisa do Instituto Data Favela, cerca de 12 milhões de pessoas moram em comunidades no Brasil, o que representa potencial de consumo de R$ 64 bilhões.

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