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Fundadores da Febracorp University, os amigos Richard Lowenthal e Henrique Gasperioni criaram modelo de negócio que tem como base o entendimento do aluno como cliente

Richard Lowenthal, presidente da Febracorp University: instituição já formou mais de 50 mil alunos
Divulgação/Febracorp University
Richard Lowenthal, presidente da Febracorp University: instituição já formou mais de 50 mil alunos

Eles nunca foram considerados os primeiros alunos da sala. Longe de tirar notas altas, Richard Lowenthal e Henrique Gasperoni sempre se sentiram incomodados com o sistema tradicional de ensino das escolas e universidades. E foi essa inquietação que deu origem à Febracorp University, que reúne atualmente quatro escolas de negócios voltadas aos segmentos de Logística e Supply Chain, Inteligência de Mercado, e-Business e Gestão Fiscal e Financeira. Apelidada por seus estudantes de “Google” da educação executiva graças à estrutura física da sede, na Vila Olímpia - inspirada em startups e agências de publicidade -, a instituição já formou mais de 50 mil alunos.

A história de sucesso dos dois amigos teve início em 2007, quando trabalhavam juntos em uma agência de publicidade. Naquele ano, começaram a desenhar em conjunto um modelo de projeto baseado na difusão de conhecimentos e colaboração sobre temas relacionados a negócios eletrônicos. Com pouco dinheiro em caixa e muita criatividade, eles passaram a promover encontros que reuniam líderes tomadores de decisão no mercado, profissionais e empresas com interesses comuns.

Rapidamente o modelo, inicialmente formatado para ser uma associação, conquistou um público cativo. Richard e Henrique perceberam a chance de empreender a partir do desenvolvimento de cursos, eventos e congressos. A entidade já era vista naquele momento como um celeiro de intercâmbio de conhecimento e especialização.


“Percebemos que nosso modelo poderia ser efetivamente transformado em uma instituição de educação. Desenvolvemos um plano de negócios completo e, a partir dele, identificamos os segmentos que levaram à fundação das quatro escolas que temos hoje. Assim, passamos a atender as diferentes demandas de um novo tipo de aluno, antenado e ávido por um sistema de aprendizado baseado no dinamismo e no conhecimento prático”, conta Richard, que atualmente ocupa o posto de presidente da Febracorp.

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Passados oito anos da sua fundação, a Febracorp conta com sete MBAs e oferece cursos in company para 20 empresas parceiras de médio e grande porte, o que representa uma base de alunos composta em sua grande maioria por executivos com idades entre 25 e 45 anos que estão em ascensão profissional e ocupam cargos de liderança. Além disso, a instituição promove anualmente uma série de cursos de especialização de curta duração, fóruns e congressos, chegando a realizar 240 eventos por ano.

Essa soma garantirá à Febracorp um faturamento de R$ 16 milhões neste ano – um crescimento de 10% em comparação a 2014. Nada mal para uma época de crise.

Salas cheias

Desde o primeiro momento, a universidade optou por encarar o aluno como um cliente, sempre buscando a avaliação deles sobre os conteúdos apresentados, o desempenho dos professores e as expectativas de conhecimento que esses profissionais buscam em uma especialização. E este talvez seja o motivo central que faz com que a universidade continue mantendo suas salas de aula cheias mesmo diante do período de instabilidade econômica do país.

“É um modo de mudar a perspectiva da educação, interpretando o aluno como alguém de fato estratégico no processo de aprendizado”, diz Richard. Com um corpo docente composto por profissionais atuantes no mercado de trabalho e uma estrutura física que inclui espaços colaborativos projetados para favorecer a interação,  a Febracorp inaugurou um formato em que a prática é elemento fundamental.

De acordo com Richard, a opinião dos estudantes é decisiva para fazer a engrenagem da educação girar.  “O segredo está em unir as pontas: educação, mercado e aluno. Temos a visão de que os cursos devem ser atrativos para o aluno independentemente de uma questão tradicional de forma de ensino. O curso se molda de acordo com as necessidades de mercado e o perfil do seu público. Conseguimos assim extrair fórmulas que são fundamentais para que a pessoa realmente se interesse pelo conteúdo programático”.

A experiência de aprendizado também passa pela forma como os estudantes são envolvidos nos tópicos desenvolvidos, a partir de análises de cases e demonstrações de como lidar com as diferentes situações apresentadas.  “Esse formato faz com que os alunos fiquem mais motivados e os transporta para dentro da temática abordada. Essa relação entre informação e a habilidade em reter novos conhecimentos aproxima o conceito da daquilo que será aplicado na vida real. Oferecemos assim uma nova forma de pensar a educação diante dos desafios desse mundo conectado”, pontua Richard.    

E engana-se quem pensa que Richard e Henrique já alcançaram todos os seus objetivos. Para os próximos anos, planejam ampliar o portfólio de cursos, abrir novas vagas e, quem sabe, inaugurar uma filial a Febracorp University fora do país.

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