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Com faturamento previsto de R$ 1,5 milhão no primeiro ano, modelo de negócios permite que pessoas comuns invistam pequenas quantias em empresas de diversos setores

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"Acreditamos que empresas baseadas em boas ideias podem e devem ser rentáveis. Elas precisam apenas de alternativas para a captação de capital", diz Fábio Silva

Eles se conheceram quando eram alunos de um colégio tradicional de Santo André, em São Paulo. O advogado Diego Perez, o administrador de empresas Fábio Silva, o publicitário Fernando Patucci e o também administrador Rodrigo Carneiro não poderiam imaginar que os laços amizade que os uniu ainda na infância extrapolaria os bancos escolares e daria forma a um modelo de negócios voltado a apoiar o desenvolvimento de startups e projetos inovadores.

Após três anos de pesquisas e muito planejamento, a Start Me Up passou a operar efetivamente no último dia 15 de setembro, tendo como missão democratizar no país o conceito de equity crowdfunding – forma de investimento coletivo em que empresas buscam recursos para viabilizar modelos de negócios completos a partir de plataformas na internet.

Com um investimento total de R$ 180 mil - R$ 60 mil derivados de recursos próprios e outros R$ 120 mil resultantes de um aporte de investidor anjo –, a Start Me Up se diferencia de outras plataformas existentes no mercado por permitir que qualquer pessoa com um valor inicial de R$ 100,00 possa investir em um negócio com potencial de crescimento.

“Acreditamos que empresas baseadas em boas ideias podem e devem ser rentáveis. Elas precisam apenas de alternativas para a captação de capital. Por isso trabalhamos para o desenvolvimento de um novo mercado, o do investimento colaborativo de multidão, em que empresas inovadoras passam a obter recursos financeiros provenientes de investidores, amigos, conhecidos ou pessoas que simplesmente querem ajudar a impulsionar estas empresas, além de rentabilizar seu investimento. É ainda o único modelo neste mercado que possibilita ao investidor ter uma rentabilidade durante a vigência do contrato”, diz Fábio.

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Para dar forma ao negócio, os quatro empreendedores contam que precisaram unir suas diferentes formações e visões profissionais. A ideia de criar uma plataforma de equity crowdfunding surgiu em 2012. Naquele ano, Fábio teve o primeiro contato com o modelo na Europa e, ao retornar ao Brasil, convidou Rodrigo para darem forma à atividade no Brasil. Diego e o Fernando se juntaram ao time ao longo do projeto para resolver problemas que foram sendo encontrados durante o processo de adequação do modelo para o mercado brasileiro.

Desbravando o mercado

Entre os desafios enfrentados pelos jovens empreendedores, um dos principais ainda é a regulamentação do Equity Crowdfunding no Brasil. Para trabalhar em conjunto com os órgãos reguladores na criação do marco regulatório da atividade e auxiliar no desenvolvimento deste mercado, a Start Me Up, em conjunto com outras empresas, fundou a Associação Brasileira de Equity Crowdfunding (EQUITY). “Devido à inovação que permeia o serviço que oferecemos, tivemos de criar um ambiente favorável e desenvolver o mercado antes de iniciarmos nossas atividades”, afirma Diego.

Com metas bem estabelecidas, a Start Me Up prevê lançar nos próximos 5 anos outros produtos baseados no investimento colaborativo, visando consolidar a marca como líder no mercado em que atua.

“Esperamos atingir positivamente o maior número possível de pessoas, sejam elas investidoras ou empreendedoras. Já temos em nossa linha de operação cinco ofertas de captação de investimentos e mais dez em negociação. São empresas que atuam no segmento médico, logístico, e-commerce, micro cervejaria e tecnologia. Com isso, já para 2016, a projeção é atingirmos R$ 1,5 milhão em faturamento”, comenta Fábio.

Além disso, Diego, Fábio, Fernando e Rodrigo planejam expandir as operações da empresa para fora do Brasil. “Temos acompanhado o crescimento deste mercado globalmente, analisando dados e oportunidades em regiões como América Latina, Europa, Oceania e África. O objetivo é atingir todos estes mercados, mas de forma gradual e de acordo com a melhor oportunidade”, pontua Fábio.

A Start Me Up também está abrindo a captação própria de recursos via Equity Crowdfunding a partir da sua plataforma.“Além de buscar capital para o nosso crescimento, queremos mostrar ao mercado que acreditamos na nossa iniciativa e que o modelo que desenvolvemos funciona e é extremamente viável”, acrescenta.

Entenda o que é Equity Crowdfunding

O significado de Crowdfunding se origina da junção de duas palavras do inglês, Multidão (Crowd) e Capitalização (Funding), trazendo a ideia de colaboração financeira para o alcance de um objetivo específico.

No Equity Crowdfunding, o projeto a ser viabilizado é uma empresa com potencial de crescimento que busca uma forma alternativa de investimento externo para a expansão de suas atividades, para o lançamento de um novo produto ou ainda para auxiliar na estruturação tecnológica e humana de sua equipe para alcançar o crescimento planejado.

“O Equity Crowdfunding não é uma forma de financiamento de empresas, já que não há uma garantia de que o valor investido será recuperado, mas sim uma nova modalidade de investimento atrelado ao desempenho da empresa investida e regrado por meio de um contrato a ser firmado entre os investidores e a empresa”, explica Diego.

Segundo ele, a contrapartida em razão do aporte de capital é o direito do investidor de participar, em parte, dos resultados positivos que a empresa possa alcançar durante a vigência do contrato de investimento. Esta participação será sempre proporcional ao valor investido por cada pessoa em relação ao valor total da oferta.

“O Equity Crowdfunding permite ainda que empresas em estágio inicial possam acessar o mercado de capitais de forma simples e desburocratizada para buscar investimentos relativamente baixos para expandir ou melhorar o alcance de seus produtos ou serviços, o que antes era restrito apenas a grandes corporações em operações multimilionárias”, reforça Fábio.

De acordo com os funfadores da Start Me Up, não existe um segmento especifico para o qual o Equity Crowdfunding se destina, mas o empreendimento a ser ofertado deve apresentar, ao menos, potencial de crescimento e atratividade para rentabilidade de investimentos, seja baseado no desenvolvimento de um produto e/ou processo inovador.

Além disso, para que uma empresa possa ser elegível a captar investimentos via Equity Crowdfunding, ela precisa preencher alguns requisitos legais: ser uma pessoa jurídica constituída na forma de Sociedade Limitada; estar enquadrada como Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte; e ter faturado no máximo R$ 3,6 milhões nos últimos 12 meses, sendo que a oferta de investimento não poderá superar o montante de R$ 2,4 milhões.

Dados disponibilizados pelo Banco Mundial e pelo Crowdsourcing.org apontam que negócios e empreendedorismo foram responsáveis por 41,3% das campanhas de crowdfunding pelo mundo, o que representa uma movimentação de US$ 6,7 bilhões. Neste cenário, a modalidade de Equity Crowdfunding  atingiu a marca de US$ 1,1 bilhão em 2014, número que representa um crescimento de 182% em relação ao ano anterior.

De acordo com a organização Anjos do Brasil, o mercado nacional de investimento em startups tem potencial para chegar a R$ 2,9 bilhões até 2017. Se considerarmos o volume registrado em 2014, esse segmento chegou a movimentar R$ 688 milhões, com um valor médio de aporte por investidor de R$ 97 mil.

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