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Decisão por empreender não é simples e depende de uma série de análises pessoais e profissionais para que seja feita a escolha pelo modelo a ser seguido; confira as dicas

O sonho de empreender e tornar-se chefe de si mesmo incide muitas vezes em uma dúvida comum a boa parte de quem planeja iniciar um negócio: afinal, o melhor é optar por um modelo de franquia ou começar uma empresa do zero? Os dois modelos têm vantagens e desvantagens, por isso, antes de tomar uma decisão é preciso colocar na balança prós e contras e, a partir dessa avaliação, optar por aquilo que irá efetivamente se adequar ao seu momento profissional e pessoal.

Fábio Silva: “Quando se decide empreender é importante saber quais os riscos você esta disposto a correr e se você está preparado para estes riscos”
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Fábio Silva: “Quando se decide empreender é importante saber quais os riscos você esta disposto a correr e se você está preparado para estes riscos”


Para Fábio Silva, sócio fundador da Start Me Up, plataforma que conecta empreendedores a investidores, o futuro empresário deve avaliar os impactos dessa escolha. “Quando se decide empreender é importante saber quais os riscos você esta disposto a correr e se você está preparado para estes riscos”, afirma. O especialista ressalta que um negocio do zero muitas vezes incide na falta de informações – de sucessos ou fracasso – podendo assim representar um risco maior.

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“Pessoas com aversão a grandes riscos devem evitar entrar em mercados inexplorados. Um mercado já consolidado é rico em informações, tem uma receita mais pronta do que pode e o que não pode, do que da certo e o que não dá certo. O risco é menor, porém um mercado consolidado costuma ser mais concorrido e para se ter sucesso deve-se pensar sempre em como inovar em algo tradicional”, diz Silva.

Já para Cristina Franco, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a relação colaborativa entre franqueador e franqueado beneficia a indústria do franchising. De acordo com a entidade, o modelo de franquias favorece o encontro de alternativas para que os impactos negativos sobre o negócio sejam reduzidos em momentos de retração econômica. “O franqueador tem feito nos últimos doze meses sua lição de casa: reduziu custos, otimizou processos, motivou ainda mais a força de vendas, renegociou com fornecedores, alterou o mix de produtos, além de manter as práticas do bom franchising, como o treinamento e a capacitação dos colaboradores”, afirma.

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Franquia

Dados de crescimento do setor, apurados na Pesquisa Trimestral de Desempenho do Franchising da ABF, indicam que o faturamento do setor cresceu nominalmente 11,2% no primeiro semestre de 2015 comparado ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 63,885 bilhões ante R$ 57,464 bilhões registrados nos seis primeiros meses de 2014. Já no 2º trimestre deste ano, o crescimento foi de 13,1% em relação ao mesmo período do ano passado, cuja receita subiu de R$ 28,774 bilhões para R$ 32,537 bilhões.

“O franchising apresenta esse desempenho porque as redes são orgânicas, como um ser vivo: na medida em que o mercado expande ou retrai o consumo, as redes têm rápida capacidade de reação. Há uma troca e um acompanhamento constantes, tanto de informações quanto de indicadores envolvendo franqueador e franqueado, de tal modo que um ‘sintoma’ qualquer no mercado é rapidamente percebido, o que faz com que o franchising se reinvente constantemente e se adapte a diferentes cenários, mantendo o crescimento”, explica Claudio Tieghi, diretor de Inteligência de Mercado, Relacionamento e Sustentabilidade da ABF.

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Entre as outras características que tornam o modelo de franquia atrativo para quem deseja empreender, um dos pontos que chama a atenção de quem está em busca dessa alternativa é a facilidade de divulgação da marca, proprocionada por um guarda-chuva institucional de marketing comum a todas as unidades. A padronização na comunicação e o baixo custo de investimento individual faz com que a empresa tenha um reconhecimento de mercado mais amplo e conquistado com mais agilidade em comparação a um negócio iniciado do zero. Outro fator relevante para o momento da decisão é que a padronização de uniformes e mix de produtos ofertados faz com que seja viável uma melhor negociação de preços diante do amplo volume de compras.

Por outro lado, essa mesma regra faz com que o franqueado precise seguir uma série de normas estabelecidas pelo franqueador, tendo pouca liberdade para interferir em questões como aparência da unidade, ações promocionais particulares ou outras atividades que fujam às regras do modelo de negócio. Ademais, é preciso lembrar que parte do faturamento do franqueado deve ser destinada ao franqueador, como parte do acordo firmado entre as partes. Além disso, é preciso arcar mensalmente com taxas pelo uso de imagem da marca e royalties. 

Ainda assim, adotar uma marca consolidada é escolha certa para quem teme os riscos que envolvem todo o investimento em um negócio. A mortalidade de franquias é consideravelmente menor se comparada à de um negócio independente, girando em torno de 4%, em especial porque  o tipo de apoio conferido ao franqueado também permite uma percepção mais apurada de possíveis problemas e suporte para a elaboração de um plano de contingência. E o acesso a emprestimos é facilitado para quem tem uma franquia – muitos franqueadores inclusive contam com equipes que apoiam o acesso a linhas de créditos especiais.

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Negócio do zero

Boas ideais e um plano de negócios bem desenvolvido são a chave para o empreendedor que deseja criar uma marca própria. Para quem tem como características pessoais a criatividade, é primordial ter um entendimento do segmento de mercado em que pretende atuar e analisar a real viabilidade do modelo a ser implementado para que seus investimentos sejam realizados de maneira consciente. Diante disso, o primeiro passo é sempre desenvolver um planejamento estratégico de negócios, que contemple a justificativa de mercado de um produto ou serviço, as oportunidades e os obstáculos a serem encontrados.  

Empreender não é simples e depende de uma série de análises pessoais e profissionais
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Empreender não é simples e depende de uma série de análises pessoais e profissionais

“Criar um modelo do zero pode ser extremamente gratificante, pois normalmente estamos ajudando a construir e desenvolver um novo mercado ou ainda trazendo uma solução inovadora para problemas da sociedade. Fazer parte de algo grande - mesmo que se comece pequeno - traz um sentimento ímpar de realização”, aponta Fábio Silva. O sócio-fundador da Start Me Up alerta, contudo, que criar uma empresa requer trabalho duro e capacidade de questionar o status quo. “Saber que uma ideia é apenas uma ideia e o que irá transforma-la em um novo negocio é sua dedicação,  esteja preparado para trabalhar 24 horas por dia”.

Entre os desafios a serem enfrentados por quem opta por abrir uma startup estão ainda criar um time que se complete e complemente, perceber oportunidades e conseguir mudar o rumo do negócio com rapidez. De acordo com Silva, uma empresa nova funciona como uma grande laboratório em que sucessos e fracassos acontecem em grande velocidade. “Esteja preparado para aprender com os dois, mais com os fracassos do que com os sucessos”, aconselha.

Os empreendedores que optam pelo modelo de negócio inovador devem avaliar suas reais habilidades e ter paixão pelo que fazem, afinal, será necessário uma dose extra de paciência e comprometimento para aprender a trabalhar com escassez de recursos, tanto humanos quanto financeiros. E a recomendação principal: “faça o simples sempre e tenha muito foco, estas duas coisas são fáceis de se perder durante o processo”, diz Silva.

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