Tamanho do texto

O 'analytics' do varejo físico, que espiona hábitos de consumo, tem atraído grandes redes, shopping centers e concessionárias

Francisco Forbes, fundador da Seed
Divulgação
Francisco Forbes, fundador da Seed

Em menos de um ano, a Seed, empresa de tecnologia e inteligência de mercado, faturou R$ 1,1 milhão e uma clientela de grandes varejistas como Arezzo, Camisaria Colombo, M. Martan e o shopping SP Market. O segredo do negócio é uma tecnologia finlandesa: sensores que, instaladas em pontos estratégicos, além de contabilizar quantas pessoas entraram no local, descobre se elas são homens ou mulheres, a faixa etária do cliente, entre outras informações. 

Cruzando esses dados com o número de vendas dos lojistas, a empresa oferece um serviço de inteligência para ajudar os varejistas a tomarem decisões de gestão. Francisco Forbes, fundador e CEO da Seed, chama o sistema de "analytics do varejo físico", em referência ao Google Analytics, serviço que monitora o tráfego em páginas da internet.

Leia mais: CEO do Fisk: de professor por acaso a sucessor por mérito

"Antes da Seed, eu fundei uma empresa de logística para e-commerces. Comecei a perceber a infinidade de informações as quais as lojas online têm acesso e vi que isso poderia ajudar bastante o varejo físico", explica o empresário.

Forbes e seu sócio viajaram o mundo e procuraram por cerca de dois anos uma tecnologia que pudesse disponibilizar esses dados. Quando encontraram, na Finlândia, adquiriram a fabricante para que pudessem ser donos da tecnologia. A Seed, então, nasceu em 2014 com investimento de dois fundos alemães e de investidores-anjos. 

Além de traçar o perfil do cliente que entra na loja, os sensores da empresa conseguem fazer uma espécie de "mapa de calor", mapeando quais são os locais mais visitados pelos consumidores. "Isso ajuda o lojista a saber quais são os produtos mais procurados e se aquela promoção está dando resultado, por exemplo", diz Forbes. 

Veja como funciona o sistema de monitoramento de consumidores:

Por enquanto, a empresa prioriza redes varejistas, shopping centers e concessionárias, mas já está desenvolvendo produtos para outros setores. Nas últimas semanas, começou a oferecer o produto para bancos.

"Às vezes, o banco tem uma agência que recebe muito mais idosos e não sabe disso, então não coloca mais um caixa preferencial. Ou não sabe quantas pessoas vão embora quando veem uma fila grande. São informações que ele só conseguiria com pesquisas longas e caras", afirma o fundador da Seed.

Um dos principais diferenciais do serviço também é o preço. Segundo Forbes, enquanto pesquisas com empresas renomadas podem custar mais de R$ 50 mil, o custo mensal da instalação de um sensor da Seed é de R$ 300.

Leia mais: Executivo larga emprego e roda o mundo dando aula sobre empreendedorismo digital

Para 2015, a meta da empresa é triplicar a base instalada – de 800 para 3 mil sensores instalados. A empresa também espera faturar R$ 5 milhões e está em busca de uma nova rodada de investimentos diretos. 

O negócio ainda não se paga, mas a empresa pretende chegar ao ponto de equilíbrio e começar a dar lucro em 2016. "Não devemos mudar o modelo de negócios pelo menos nos próximos três anos. Depois, como teremos uma enorme base de informações, podemos pensar no que fazer com esses dados", diz Forbes.

"Estamos entrando em espaços públicos, como aeroportos, estações e ruas. Pode ser interessante para sabermos números mais precisos sobre eventos que acontecem na cidade", afirma. Segundo o empresário, também cresce a busca de varejistas que querem utilizar o produto para obter dados sobre o fluxo de pessoas antes de tomar decisões estratégicas como o local de abertura de um novo ponto de venda.

    Leia tudo sobre: inovação
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.