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Cérebro empresarial da banda quarentona, baixista e cantor Gene Simmons afirma que "vive para ganhar dinheiro"

BBC

Gene Simmons, o cérebro financeiro do Kiss
Getty Images
Gene Simmons, o cérebro financeiro do Kiss

O co-vocalista e baixista da banda Kiss, Gene Simmons, pode transmitir uma imagem descuidada e rebelde de rosto maquiado e língua de fora – mas quando o assunto é dinheiro a conversa fica séria e a comparação que ele prefere é com "um grande tubarão branco".

Não obstante o fato de valer US$ 300 milhões [ R$ 916 milhões ], o astro da banda quarentona de Detroit, que continua lotando estádios ao redor do mundo, diz que nunca vai se cansar de ganhar mais.

"A vida é um negócio, e a minha abordagem da vida é a mesma de um tubarão: eles precisam continuar em movimento, senão se afogam", afirma o baixista e co-vocalista da Kiss.

"Nunca vou deixar de caçar dinheiro, nunca vou ter suficiente."

A banda fará apresentações nesta semana no Brasil, começando em Florianópolis nesta segunda-feira (20) e passando por Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. Os ingressos começam em torno de R$ 140 e podem superar R$ 2 mil.

O giro pela América do Sul é a última perna do turnê mundial de 40 anos de aniversário da banda, planejada para durar dois anos.

Além da cara tatuada com a longa língua à mostra, Simmons é famoso pelo seu passado de sedutor – ele diz já ter dormido com mais de 4.800 mulheres. Menos conhecido é seu lado empreendedor.

Aos 65 anos de idade, o músico é o cérebro financeiro da banda, o seu CEO [ presidente-executivo ] na prática.

Produtos
Desde sua formação, em 1973, a banda não apenas vendeu mais de 100 milhões de discos ao redor do mundo, como ganhou ainda mais dinheiro vendendo produtos licenciados com a sua marca.

Em 42 anos de história, o grupo autorizou a venda de mais de 5 mil itens, desde produtos comuns para uma banda, como camisetas e chapéus, como também revistas em quadrinhos, máquinas de fliperama, cartões de crédito, preservativos e caixões.

Sem deixar de lado as bijuterias, cinzeiros, lancheiras, fantasias de Halloween, bolas de beisebol e toalhas de praia. E um campo de minigolfe e um café temático.

É um império de negócios que se expande sob a batuta de Simmons e que já levantou muitas críticas de que o grupo é excessivamente focado no lado comercial, rebaixando-se em detrimento do lado musical.

Simmons rebate as críticas. "Toda banda vende camisetas, toda banda vende mercadorias. Só que eles não fazem isso tão bem quanto a gente."

Simmons em ação no palco:
Divulgação/Facebook
Simmons em ação no palco: "O Demônio"

Abstinência
Filho de uma sobrevivente do Holocausto, Simmons nasceu com o nome de Chaim Witz na cidade israelense de Haifa em 1949.

Descrevendo sua família como paupérrima, ele conta que seu espírito empreendedor despontou aos sete anos de idade, quando ele e um amigo começaram a colher frutas silvestres para vender à beira da estrada.

A família emigraria para os Estados Unidos um ano mais tarde. Simmons cresceu em Nova York.

Ele conta que teve a ideia de formar uma banda de rock após assistir aos Beatles na televisão. A Kiss nasceu em 1973 com Simmons no baixo, Paul Stanley e Ace Frehley nas guitarras e Peter Criss na bateria. Simmons e Stanley faziam os vocais.

A cada membro cabia pintar o rosto com um design diferente e escolher um nome de palco. Simmons escolheu ser o "demônio" – The Demon – com chamas negras pintadas sobre um fundo branco. O figurino se completou com botas altas e armadura.

Apesar da imagem, Simmons diz que nunca consumiu álcool nem drogas – ou fumou um cigarro sequer.

"Quando ia a festas como rapaz jovem, eu olhava ao redor e via todos esses caras completamente bêbados, se comportando como idiotas e incapazes de conversar com mulheres lindas", afirma. "Que desperdício de humanidade."

Embalada por um repertório de hard rock que se popularizou, maquiagens e figurino chamativos, em poucos anos a Kiss já despontava em vendas e turnês de lotação esgotada.

Os críticos, hostis, acusavam o grupo de ser mais imagem que substância. Apesar disso, a banda construiu uma enorme base de fãs em todo o mundo.

Workaholic
Mesmo sem alguns integrantes originais, como Ace Frehley e Peter Criss, a Kiss continua em turnê mundial com Stanley encabeçando o lado artístico e Simmons, o lado comercial.

Outros negócios do baixista incluem desde uma cadeia de restaurantes até um time de futebol americano, o Los Angeles Kiss (em sociedade com Stanley), além de reality shows, uma produtora de filmes de terror, incursões no mercado editorial de livros e revistas, palestras e serviços de tradução.

Simmons garante que consegue achar tempo para gerir tudo isso, pois adora o trabalho e nunca está de ressaca.

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