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Blogueiros têm infinidade de balcões para venda de publicidade, como Facebook e Instagram; publicações pagas endossam marcas nas redes e fazem empresas elevar vendas

Meninas e adolescentes fazem de tudo para ficar perto dos ‘ídolos’; faixa etária é a mais suscetível a esses novos influenciadores
KENDRICK BRINSON
Meninas e adolescentes fazem de tudo para ficar perto dos ‘ídolos’; faixa etária é a mais suscetível a esses novos influenciadores

Eles não são estrelas do show-bizz e nem compõem o galeria de famosos das TVs e cinema, mas atingiram a fama impulsionados por seus posts, vídeos e looks de moda e maquiagem, histórias e batalhas de games. Essas interações ganham amplitude por meio de engajamentos (vínculos criados entre o emissor da mensagem e seus seguidores que compartilham e curtem aquela mensagem) em diferentes publicações digitais, atingindo milhares de pessoas via internet.

Seguem a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, que se transformam em cliques e, por fim, engordam as contas bancárias desses empreendedores focados no comportamento humano, nas febres de consumo. 

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Um tutorial de uma adolescente blogueira postado no Youtube ensina como ganhar US$ 90 mil por mês. Essa postagem teve quase 4 milhões de acessos. Bethany Mota mora na Califórnia, tem 18 anos e já é dona de um site de venda de roupas de sua própria marca. Tem ainda cerca de 4,5 milhões de seguidores no Instagram e 7,5 milhões de inscritos no seu canal no Youtube.

Cobranças de cachê variam de acordo com cliente e espaço

Antenados com o mundo dos negócios da comunicação das marcas, blogueiros engordam suas contas bancárias, mas não é possível dizer quanto cobram, pois o preço é negociado em cima de um conjunto de variáveis: a audiência alcançada pelo blogueiro (quantos seguidores e em quais redes sociais atua), o setor de mercado que influencia e o poder de fogo do contratante (quanto pode pagar por postagem) uma empresa, qual seu tamanho.

Também não é possível dizer quanto os bloqueiros de primeira linha ganham por mês, porque esse tipo de informação não costuma ser revelada. No mercado de moda, as blogueiras com maior número de seguidores chegam a cobrar R$ 5 mil por um post no Facebook, R$ 4 mil no Instagram, R$ 6 mil no Youtube, R$ 2 mil por um banner lateral no site ou blog, R$ 4 mil por um publieditorial com texto.

O retorno é imediato. Segundo pesquisa nos blogs de moda realizada pela reportagem na última semana de outubro, um post pode ter 13 mil curtidas em três horas. A maioria tem um espaço reservado para o contato publicitário. 

Milhões de seguidores

Após sucesso estrondoso nas redes, blogueiras ganham espaço nobre na TV. É o caso da maquiadora Camila Coelho, de 26 anos, que pode ser vista nesta semana em dezenas de anúncios espalhados nos pontos de ônibus da Zona Oeste de São Paulo, em bairos como Alto de Pinheiros e Vila Madalena. Com 1,7 milhões de seguidores no Youtube, tem um programa com inserções semanais no canal. Além disso, tem 2,3 milhões de seguidores no Instagram e 2 milhões, no Facebook.


Outra celebridade nas redes foi parar no júri da Dança dos Famosos – quadro exibido no Domingão do Faustão da TV Globo. Camila Coutinho, de 26 anos, criou o blog Garotas Estúpidas há sete anos, que é hoje um dos mais populares no País, com cerca de 1,7 milhões de acessos por mês. Ela tem ainda cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram e 615 mil, no Facebook.

A empresária e blogueira Lala Rudge tem um blog de mesmo nome, com dicas de decoração, lazer, além dos sempre em voga maquiagem e estilos de moda e cabelo. Esteve no programa Esquenta!, da TV Globo em abril e mostrou versatilidade ao explicar como fazer uma foto de si mesma (self) para ficar bonita. Tem quase 1 milhão de seguidores no Instagram e perfil privado no Facebook. 

O iG entrou em contato com seis profissionais dessa área, mas nenhuma blogueira quis falar com a reportagem. Segundo agências de comunicação consultadas, esse tipo de influenciador do mercado de moda ganha mais de R$ 30 mil por mês, tem viagens pagas pelas marcas com direito a levar acompanhante, além de ganhar presentes (conhecidos no meio da Comunicação como jabá).

Segundo uma profissional de uma multinacional de tecnologia, a importância das postagens de blogueiros tem aumentado no negócio de grandes empresas porque influenciam diretamente nas vendas e podem ajudar a mudar um resultado negativo. O público adolescente seria o mais suscetível.

“Usamos os blogueiros para alavancar vendas e eles trazem resultados. Tudo leva a crer que conseguem fazer com que as pessoas comprem o produto que recomendam no seu blog, pois cruzamos os dados da região onde o post é feito e as vendas. Às vezes impressiona”, diz a representante da multinacional que não quis ser identificada.

Ainda é possível cobrar para ir a um evento fazer uma simples aparição, assim como fazem os atores em festa de debutantes. Muitos posts com produtos são uma retribuição às marcas que enviam de presente lançamentos. Essa é uma forma de abrir portas para a cobrança de um cachê futuro.

Comunicação: empresas estão atentas aos novos influenciadores

Chamado de influenciador pelas agências de relações públicas, o profissional blogueiro funciona como uma ferramenta de marketing que pode criar a necessidade de consumo para algum produto lançado e é utilizado para agitar as vendas de produtos.

“Eles já estão nas estratégias e planos de mídia que fazemos para nossos clientes. Dentro da área de ativação [post pagos nas redes sociais] da agência, cerca de um terço do orçamento é direcionado para conteúdos de blogueiros reconhecidos em determinados setores”, relata Vitor Vieira, diretor de Ativação e Bussiness Inteligence da Ideal.

Vieira conta que a Ideal, cuja parte de clientes são da área de marcas esportivas e moda, tem contratos assinados com blogueiros para garantir exclusividade dentro de setores específicos.

Para o diretor, o mercado brasileiro está caminhando para a maturidade. “Não são todos os posts que informam serem publicitários. Essa é uma luta diária, de transparência com o consumidor de conteúdo. Se ele se sentir enganado, pode fugir. Por isso é preciso ter profissionais que promovam engajamento de qualidade, sendo referência em algum assunto. Ao mesmo tempo precisam informar que trabalharam para tal marca.”

Renato Essenfelder, professor de Jornalismo da ESPM, endossa a opinião de Vieira. “Vivemos a era de informação instantânea e corre-se o risco desse tipo de trabalho cair em descrédito por não avisar que é propaganda. O meio é a pessoa, a sua própria imagem comunica, por isso, muitas vezes, se tornam estrelas mesmo sem ter um profundo conhecimento de alguma área”, avalia o professor.