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Apaixonado por língua estrangeira desde criança, o venezuelano Andrés Moreno inovou o ensino de inglês à distância e hoje tem mais de 200 mil clientes

Apenas US$ 700 no bolso e um sofá para dormir. Foi assim que o venezuelano Andrés Moreno, de 32 anos, iniciou a saga para abrir a sua própria empresa de ensino de inglês à distância, a Open English, em 2007. Hoje, com 7 escritórios, 200 mil clientes e mais de US$ 120 milhões captados, o jovem empresário credita à sua paixão e perseverança o sucesso da companhia.

“Não foi um começo fácil. Em 2007, ninguém queria investir na América Latina. Eles olhavam para a China e para o Japão, o Brasil ainda não era o que é hoje”, lembra Andrés.

Andrés Moreno, fundador e diretor-presidente da Open English
Divulgação
Andrés Moreno, fundador e diretor-presidente da Open English

Antes de idealizar a Open English, o empresário já havia criado a Optimo, uma empresa dedicada ao ensino de línguas presencial para executivos, trazendo professores norte-americanos para morar em Caracas, na Venezuela. A companhia virou a parceira oficial de ensino de inglês para as maiores companhias do mundo com escritórios na América Latina.

Para Andrés, no entanto, o modelo de negócio da Optimo ainda não era o ideal para ter um crescimento exponencial na região. Apaixonado por línguas estrangeiras desde pequeno, por ter passado a infância viajando devido ao emprego de seu pai, o empreendedor viu no Skype – serviço de chamadas telefônicas e de vídeo por internet – a solução para o ensino de inglês para o público latino.

Desta forma, Andrés criou o conceito de oferecer ao cliente aulas de inglês por internet com professores nativos, 24 horas por dia, sem a necessidade de um agendamento prévio e com acesso ilimitado. “É uma oferta muito interessante para cá. Se está estudando inglês em uma escola tradicional, você tem de entrar no seu carro, dirigir por horas até chegar à escola, dividir uma sala com outros 20 alunos, estudar só gramática, para depois ter dificuldade de falar”, observa.

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A princípio, Moreno fez do seu apartamento em Caracas o primeiro escritório da Open English. O espaço era dividido com outros 22 desenvolvedores. “Era praticamente um Vale do Silício, com um monte de caras rodeados de computadores comendo pizza, mas na Venezuela”, brinca.

Quando percebeu que a burocracia e a falta de investimentos em empresas de internet na América Latina poderiam barrar a sua ideia, Andrés decidiu fazer as malas e se mudar para o Vale do Silício, região da Califórnia, nos EUA, conhecido pela grande concentração de empresas de tecnologia, como o Google.

Conceito da Open English é o de disponibilizar professores nativos para ensinarem inglês por meio de ligação de vídeo online
Thinkstock/Getty Images
Conceito da Open English é o de disponibilizar professores nativos para ensinarem inglês por meio de ligação de vídeo online

“Eu cheguei lá com US$ 700 no bolso e dormi no sofá dos meus amigos por seis meses. Eu acordava todos os dias, colocava um terno e ia para reuniões com potenciais investidores”, conta.

Apesar da falta de recursos, Andrés considera que o mais difícil dessa época era não conhecer ninguém. “Eu tinha que virar o melhor amigo dos investidores e contar sobre o projeto. Eles tinham de apostar não na companhia, que ainda não existia, mas em mim e na minha visão do que a empresa poderia se tornar. Foi muito difícil”, diz o empreendedor.

Durante dois anos e conseguindo cheques que variavam de US$ 20 mil a US$ 50 mil de investidores anjo, Andrés levantou US$ 2 milhões – o suficiente para estabelecer a primeira versão da Open English.

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No entanto, o ponto de virada da empresa foi o investimento em comerciais de TV, que brincavam com as situações embaraçosas que alguém que não sabe falar inglês pode ter de passar no dia a dia, como uma entrevista de emprego em inglês.

“Assim que a gente transmitiu o primeiro comercial, 60 mil pessoas nos ligaram naquele mês. Depois disso, todo mundo queria investir no nosso negócio. A gente conseguiu levantar US$ 120 milhões desde então, e hoje somos uma das companhias fechadas que mais levantou investimento na América Latina”, conta o empresário. “Só no ano passado foram US$ 100 milhões. Fica bem mais fácil depois que você se torna uma grande empresa.”

Mas para o empresário, mesmo com o sucesso das propagandas, ainda é a qualidade e a inovação da Open English que garantem o crescimento da empresa. “Estar na TV foi um grande catalizador de oportunidades, mas não adianta você conseguir mil assinantes em um mês e depois eles dizerem na internet que o seu produto é horrível. Esse seria o fim”, observa.

Paixão e perseverança

Quando perguntado qual conselho ele daria para outro jovem empreendedor que tem apenas US$ 700 no bolso e uma ideia na cabeça, Andrés é rápido em dizer que manter a paixão e a perseverança é essencial.

“As pessoas se empolgam quando você mostra paixão e elas apostam nisso. A paixão lhe ajuda a trazer os investidores certos e contratar as pessoas certas. Já a perseverança é uma vantagem competitiva, porque muita gente simplesmente desiste antes de terminar. É difícil, mas você precisa continuar”, recomenda.

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