Tamanho do texto

Modelo de negócio é avaliado como alternativa para facilitar ida da rede de cafeterias para outras regiões do Brasil

A abertura da Starbucks para franquias tem sido um dos mecanismos estudados pela gigante do café para chegar em mais Estados do Brasil. Atualmente, a rede tem 79 unidades entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Demanda, pelo jeito, não falta. Norman Baines, diretor geral do grupo no Brasil, comenta que recebe entre 180 e 200 solicitações de informações por mês.

No entanto,  Baines ainda não tem previsão de quando isso vai acontecer. Os estudos ainda estão em curso, mas o executivo adianta que provavelmente não deverá funcionar como uma franquia tradicional, loja a loja. "Não consigo ver a franquia nesse formato. Possivelmente vamos franquear por regiões ou recortes geográficos, mesmo", comenta. "Todos esses pedidos nos ajudam a coletar informações sobre as regiões e as principais demandas. "

A maior dificuldade, para Baines, tem sido a articulação da geografia nacional. “Quando você pensa que Porto Alegre fica a quase 4 mil quilômetros de Fortaleza, você começa a ver o tamanho da questão logística. Temos de ir com calma e nos passos certos”, comenta o executivo. “A logística é difícil e não dá para errar. Já houve marcas que fizeram isso com menos cuidado e tiveram de sair do mercado para voltar mais tarde.”

Hoje, oito anos depois da inauguração da primeira loja, os Estados de Rio de Janeiro e São Paulo contam com 79 lojas. O executivo considera o crescimento relativamente rápido. “Quando você chega com uma rede completamente nova, leva tempo para criar massa crítica, estabelecer fornecedores, acertar as importações e até entrar na rotina dos clientes”, avalia.

Mas para Baines, uma das chaves do sucesso do Starbucks no Brasil é a manutenção da operação sem as chamadas “tropicalizações” da rede. “Quando você vem com uma rede conhecida internacionalmente não dá para adaptar muito. O cliente que teve a experiência do Starbucks fora do País já espera algo parecido aqui”, analisa. “Ele ficará frustrado se aqui for diferente.”

Norman Baines, diretor geral do Starbucks no Brasil
Divulgação
Norman Baines, diretor geral do Starbucks no Brasil

O executivo, no entanto, não desconsidera a inclusão de alguns itens no cardápio. O pão de queijo e o mini-muffin com o café expresso tiveram de ser incluídos na linha das lojas. No entanto, os costumes nacionais podem rendeu uma boa experiência na rede. “Pode ser que comecemos a exportar o pão de queijo para outros cardápios.”

Rede deverá abrir 21 novas lojas neste ano

Ao contrário de parte do varejo nacional, Baines não reclama dos resultados de 2013. Foram 18 novas lojas abertas e a performance daquelas que já estavam em funcionamento evoluiu em dois dígitos. “Isso é um sinal de uma demanda latente para a marca”, diz. “Mas também é uma grande responsabilidade. Precisamos andar em um passo em que dê para manter nossos padrões de serviço e produto.”

Para este ano, a rede pretende abrir mais 20 lojas próprias, ainda entre Rio de Janeiro e São Paulo. "Ainda não sabemos de quanto vai ser o investimento", afirma Baines. A próxima cidade a receber uma nova unidade deve ser São José do Rio Preto, no interior paulista.

Outra loja a ser aberta neste ano é a do Terminal 3 no GRU Airport, Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Nessa unidade, Baines promete um cardápio com produtos diferenciados, da chamada “Evening Experience”, experiência noturna, em inglês. A loja deverá agregar refeições mais completas, vinhos e cervejas ao menu. “Já temos esse serviço em lojas seletas nos Estados Unidos, vamos testar esse modelo aqui no Terminal 3”, diz.

No entanto, a demanda por esse produto veio por exigência da própria administradora do aeroporto, que solicitou a Starbucks que oferecesse bebidas alcoólicas em seu restaurante. “Por enquanto, não vamos abrir a Evening Experience em outra unidade”, comenta. “Estamos com o coração e a mente aberta, vamos trazer uma oferta muito parecida com a dos Estados Unidos e vamos ouvir o retorno dos clientes.”

Funcionários do Starbucks comemoram o Mês do Voluntariado Global em Abril
Angeli Ferretti/Divulgação
Funcionários do Starbucks comemoram o Mês do Voluntariado Global em Abril

Mês do Voluntariado Global reúne funcionários em escola infantil

Baines teve um sábado (5) fora da rotina. Esta foi a segunda vez que a subsidiária nacional da rede aderiu ao Mês do Voluntariado Global, tradição do Starbucks em todo o mundo. Durante abril, funcionários da rede em 62 países participam de atividades sociais em prol da comunidade. Neste ano, se juntaram com a Fundação Gol de Letra para renovar a pintura das salas de aula da EMEF João Ramos Pernambuco – Abolicionista, no Jardim Tremembé na Zona Norte de São Paulo (SP). São 200 mil voluntários em todo o mundo. No saldo, foram 2.154 projetos comunitários concluídos – o mês chega a somar 232 mil horas de trabalho voluntário. Até 2015, a rede espera que seja atingida a marca de 1 milhão de horas trabalhadas.

O executivo, que já foi vice-presidente do McDonald's no Brasil e implantou a rede Applebees no País, conta que estava prestes a se aposentar quando foi convidado a toca a operação nacional do Starbucks. Filho de ingleses, nasceu em Fortaleza por acaso. "Cresci com Brasil na orelha, vim aqui em 1970 para me alistar, me apaixonei por uma brasileira, que é o que normalmente acontece", brinca.