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Com objetivo de fomentar novas empresas, faculdade em São Paulo vai selecionar 50 projetos para apresentar ao mercado

Brasil Econômico

Um aplicativo para monitorar as votações e projetos de um determinado político. Um software que permite aos pais acompanharem as interações de seus filhos nas redes sociais e em dispositivos móveis. Esses são apenas alguns dos projetos em gestação nas salas de aulas da FIAP, faculdade de tecnologia de São Paulo. Desde dezembro, a instituição investiu em um novo modelo de trabalho de conclusão de curso (TCC), voltado inicialmente aos seus 900 alunos de MBA. No lugar do tradicional TCC, a proposta é incentivar a criação de startups. Durante seis meses, os alunos passarão pela avaliação de professores, investidores de risco e aceleradoras. Esses especialistas irão escolher 50 ideias que farão parte de uma publicação distribuída a investidores e parceiros. Ao mesmo tempo, os três melhores projetos terão direito a um curso de capacitação na Babson College, em Massachusetts (EUA).

FIAP vai selecionar 50 projetos de startups pensados por alunos para apresentar ao mercado
InovAtiva Brasil/Reprodução
FIAP vai selecionar 50 projetos de startups pensados por alunos para apresentar ao mercado

“O TCC tradicional normalmente não tem nenhum valor para os alunos e para as instituições. Queremos aproveitar a capacidade do estudante e transformá-la em algo útil, seja para o próprio aluno, para a empresa na qual ele trabalha ou para a sociedade em geral”, diz Marcelo Nakagawa, diretor de empreendedorismo da FIAP. “Nossa expectativa é criar entre 700 e 900 startups a cada ano”.

Os alunos terão acesso a workshops, com conteúdos e dicas de empreendedores, além de mentores à disposição para discutirem e refinarem seus projetos. “Obviamente, nem todos querem empreender de fato. Mas quem tiver o interesse de levar o negócio à frente terá o nosso auxílio, independentemente de estar entre os projetos vencedores. Vamos priorizar as ideias com maior potencial de captação de recursos”.

Para apoiar esse ciclo, a FIAP vai inaugurar até o fim do mês seu primeiro centro de empreendedorismo, que será dividido em três unidades. A primeira — batizada de Playground — será para os alunos que querem literalmente brincar de empreender , diz Nakagawa. O segundo braço será a Startup Factory, que irá preparar e colocar essas iniciativas em contato com aceleradoras e investidores-anjo.

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O centro terá ainda a Startup Airport, que vai oferecer serviços para as startups internacionais que pretendem instalar uma operação no Brasil. Em troca, a instituição vai sugerir ex-alunos para liderar essas empresas no país. Para as startups brasileiras, a FIAP está fechando parcerias em Boston, Nova York e San Francisco, que irão facilitar as conexões no exterior.

Educação e empreendedorismo

“Hoje, esse tema está restrito às escolas de administração. Quando você vai para outras áreas, ainda é muito incipiente. A capacidade do aluno é subutilizada. Ele aprende a ser empregado, quando na verdade deveria aprender a usar o conhecimento que adquiriu para ser protagonista”

Papel do governo

“Infelizmente, hoje, o empreendedorismo é um tema puramente restrito ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.O assunto precisaria estar também na pauta do Ministério da Educação, que deveria repensar e incentivar a cultura empreendedora desde o ensino básico”.

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Startups digitais

"Nosso empreendedor digital ainda é raso em inovação. Se você pega um Google ou um Facebook, eles têm uma inteligência artificial muito forte por trás. Precisamos ter negócios com mais ambição global. O empreendedor brasileiro acha que o tamanho do país é suficiente. É o inverso de Israel, onde se pensa globalmente, por ser um país pequeno, o que fomenta a criação de projetos como o Waze. Por falta de projetos desse porte, os investidores estrangeiros pararam de olhar para o Brasil”.

Outros campos

“Vejo uma expansão do empreendedorismo além da tecnologia. Vamos ver mais projetos associados à economia criativa. A gastronomia é um exemplo . Em todas as escolas desse setor, empreender já é um tema obrigatório”.

Desafios

“Além da formação de empreendedores que saibam captar dinheiro e criar negócios com ambição global, o grande gargalo do investimento no Brasil é a falta de advogados que saibam formalizar uma boa negociação para empreendedores e investidores”.

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