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Executivo do Uber afirma estar pensando sobre o País; entidades pedem punição a quem usa o sistema

Primeira viagem do Uber em Bogotá, em setembro de 2013
Divulgação/Uber
Primeira viagem do Uber em Bogotá, em setembro de 2013

Patrick Morselli, da americana Uber, afirma ao iG estar “pensando sobre o Brasil – e seus ecosistemas urbanos complexos” como mais um destino latino-americano para o aplicativo de caronas remuneradas.  Um dos elementos dessa complexidade – ele não admite – atende pelo nome de táxi.

“Estamos vendo um País sem regra”, afirma Edmílson Saulo Americano, presidente da Associação Brasileira de Radiotáxi (Abracomtaxi), que está na linha de frente contra os aplicativos de carona remunerada em São Paulo. “As leis municipais já proíbem [ o transporte de passageiros por veículos não autorizados ]. O que falta é a prefeitura exercer o papel de fiscalização.”

Presente em 70 cidades, o Uber é um pioneiro do gênero nos Estados Unidos, e um dos expoentes do que é descrito como economia colaborativa. Na prática, o sistema auxilia qualquer pessoa a transportar os outros em troca de dinheiro – algo que na economia convencional se parece bastante com uma corrida de táxi.

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“Os caras [ taxistas ] vêm apertando, mas é a evolução. Se não for eu, vai ser outro [ que vai criar um aplicativo semelhante ]”, comenta Yuri Faber, criador do Zaznu ,  que estreou no Brasil em fevereiro e foi alvo imediato de um protesto no Rio de Janeiro. "Nosso objetivo é diminuir o número de carros na rua e botar uma renda extra [ no bolso de quem usa o aplicativo ]".

Tela do Zaznu: aplicativo foi alvo de protestos no Rio
Divulgação/Zaznu
Tela do Zaznu: aplicativo foi alvo de protestos no Rio

Capital americana planeja vetar ligação à carona

Residente nos EUA, Faber diz lembrar de como o lançamento no Uber no país também gerou protestos por parte dos taxistas. Um grupo de estudos da comissão de táxi do governo do Distrito de Columbia, a capital federal americana, recomendou que esses serviços passem a ser regulados e, inclusive, deixem de ser descritos como carona.

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Na França, a Federação de Taxistas Independentes de Paris também declarou guerra ao aplicativo, e o denunciou à Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes.

No Brasil, os taxistas tentam obrigar as prefeituras a multar quem pratica carona remunerada, enquadrando a prática como transporte irregular, e não vetar os aplicativos em si.

Líder da manifestação contra o Zaznu, André Oliveira afirma que os programas podem fomentar o trabalho de táxis fantasmas – motoristas que oferecem transporte em carro de passeio e normalmente atuam junto a hotéis.

“A nossa revolta é que já existem carros particulares que prestam serviço irregular. Então nada impede que esses táxis fantasmas sejam os caroneiros [ que usam os aplicativos ]”, afirma.

Questionados, os representantes do Uber não comentaram as críticas dos taxistas nos países em que já se instalaram. 

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