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Projeto envolverá cerca de 100 empresas de três áreas: séries de TV, música e games

Para Sebrae, a lei 12.485, que substitui a Lei do Cabo e regula serviços de TV por assinatura, impulsionará setor audiovisual
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Para Sebrae, a lei 12.485, que substitui a Lei do Cabo e regula serviços de TV por assinatura, impulsionará setor audiovisual

Coordenadora da área de Economia Criativa do Sebrae/RJ, Heliana Marinho destaca o artesanato como uma das atividades em que a carteira de projetos do serviço está mais consolidada. São duas mil pessoas envolvidas, fruto de 14 anos de trabalho. A inauguração de Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, prevista para maio, após a conclusão de obras de R$ 19 milhões a serem iniciadas em março, contará com uma exposição/instalação, e anima Heliana a prever um salto de qualidade. O projeto-piloto de vendas no Rio Sul, um dos shoppings mais movimentados da cidade, arrecadou R$ 200 mil no ano passado, e será repetido este ano, na Copa do Mundo, com metas mais ambiciosas e arte popular de dez estados.

O avanço da economia criativa pode ser medido pela aceleração no alcance das metas pelas carteiras do Sebrae. O projeto de música, instalado em 2010, já agrega 2 mil pessoas, em diferentes estágios, uma performance expressiva de acordo com Heliana Marinho. Em três anos, a carteira atraiu o número de empreendedores que artesanato, de inserção popular semelhante, levou mais de uma década para alcançar. Artes visuais/design, uma área de grande expansão recente no Estado do Rio, inicia a carteira, este ano numa escala de laboratório, para 25 empresas.

A indústria audiovisual parte de um patamar mais ambicioso, com 100 empresas. A Lei 12.485, que substitui a Lei do Cabo e regula serviços de TV por assinatura, ajuda a explicar as metas mais ousadas, por estabelecer um mínimo de 5% de produção nacional independente nos canais fechados. “A cadeia é dinamizada pelo comprador final, mais capitalizado, neste segmento”, sustenta.

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A formação oferecida pelo Sebrae para os produtores audiovisuais é de Gestão do Futuro do Entretenimento. A opção por focar no mercado de fornecimento de conteúdos favorece a articulação com o mercado comprador, dos canais fechados. O ponto de partida envolverá três atividades:séries de TV, música e games. A escolha partiu, por sua vez, da análise de que há uma forte interação potencial entre as três: trilha sonora é um elemento essencial para valorizar a trama de uma série e melhorar a experiência com um videogame.

O otimismo da escala inicial, três vezes maior do que o habitual, se repete nas metas de expansão. A perspectiva é atingir duas mil empresas apoiadas em três anos, o mesmo desempenho da música. A rápida alavancagem esperada pelo Sebrae/RJ reflete o patamar elevado da qual parte o setor. O Rio é destacado no relatório da Unctad (órgão das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento) divulgado no final de dezembro. “O Unctad/ONU avaliou 150 países e fez briefing em Nova York. O Sebrae RJ é citado pela carteira de projetos. Berlim, Londres e San Francisco são os benchmarks, mas o Rio é citado como emergente”, conta.

A fatia de 4,5% do PIB, no caso do Rio, é uma parcela razoável para a economia criativa. Supera a média do país para o “núcleo duro”, que é de 3,3%. “É um desempenho ainda aquém do potencial. Pode-se crescer ainda mais. Num trabalho acadêmico que fiz, constatei que 90% dos empreendimentos do setor são de pequeno e médio portes, o que amplia o efeito multiplicador”, diz Heliana.

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