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De olho no crescimento da ofertas de aplicativos para taxistas e do uso de smartphones, empreendedores investem na oportunidade para criar plataformas de motofrete

Idealizada em junho 2013, a Vai Moto teve apoio de empresa experiente na criação de desenvolvimento de soluções mobile
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Idealizada em junho 2013, a Vai Moto teve apoio de empresa experiente na criação de desenvolvimento de soluções mobile

Inspiradas no crescimento da ofertas de aplicativos de táxi  e do uso de smartphones, empreendedores brasileiros viram uma oportunidade diferente e criaram plataformas para quem precisa do serviço de motoboys. Ainda recentes – a maioria foi criada em 2013 –, os aplicativos de motofrete vêm ganhando espaço significativo.

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Idealizada em junho 2013 por Daniel Muniz Silva, a empresa Vai Moto teve apoio da DCAN+M, experiente na criação de desenvolvimento de soluções mobile e que funciona também como incubadora de empreendimentos. Assim, foi criado um aplicativo para clientes e motoboys, a fim de facilitar o serviço de entrega e retirada de encomendas em toda a Grande São Paulo. Segundo o diretor de Operações da Vai Moto, Bruno Mendes, “a ideia era trazer o que os aplicativos de táxi hoje têm, que é a autonomia, não precisar ficar preso em um ponto na rua esperando um passageiro”.

Os usuários, depois de cadastrados, fazem a solicitação por meio do site ou da plataforma para celular e colocam os endereços desejados. Assim, o sistema busca profissionais em um raio de dez quilômetros de distância de onde está o cliente e envia uma notificação. Depois disso, os motofretistas que se interessarem pelo pedido enviam um preço para o cliente, que pode escolher quem vai fazer a entrega.

Cadastramento

Para que o motoboy consiga usar o aplicativo, ele tem de se cadastrar e enviar todos os documentos exigidos (Carteira Nacional de Habilitação válida, RG, CPF e comprovante de residência). Para os clientes, no entanto, apenas são repassados apenas nome e celular para os clientes.

De acordo com Mendes, a Vai Moto cobra do profissional uma taxa de R$ 2 por corrida efetivada, ou seja, quando o solicitante cancela o pedido, o valor não é cobrado. O pagamento, no entanto, é efetuado diretamente para o motofretista. “Nós não somos fonte recebedora em nenhum momento. Só disponibilizamos um lugar para pessoas que precisam de motofrete e para motofretistas que querem ter um pouco mais de trabalho durante o dia, ou que são autônomos e estão precisando de clientes”, conta o empresário.

Com mais de mil motoboys cadastrados e pouco tempo de funcionamento, a empresa já conseguiu realizar 800 corridas por semana e agora caminha para 2 mil. Segundo o Diretor de Operações, a lucratividade está atendendo às expectativas. “Apesar de ser o início, nós temos a pretensão de, em 12 meses, faturar R$ 3,5 milhões. Nós estamos caminhando para isso”, conta Mendes.

Foco em empresas

Com o aumento do número de smartphones, a Loggi , emprendimento de logística urbana, também resolveu neste ano inserir-se no mercado de serviços de motofrete. Segundo Fabien Mendez, CEO da empresa, o objetivo é tornar o fluxo de pedidos de motoboys uma tarefa fácil e transparente. O foco, segundo o empresário, é diferente do de outros aplicativos do setor. “Nós atendemos pessoas físicas, mas nosso foco são as empresas, para que qualquer negócio, com alguns cliques, tenha total facilidade para pedir o serviço de motofrete”, explica Mendez.

Com o aumento do número de smartphones, a Loggi também resolveu inserir-se no mercado de serviços de motofrete
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Com o aumento do número de smartphones, a Loggi também resolveu inserir-se no mercado de serviços de motofrete

O CEO da Loggi conta que a capitalização da empresa ocorreu de forma rápida, antes mesmo de colocar o serviço no mercado. O empreendimento conta com aporte de Kees Koolen, diretor de operações da Uber e chairman da Booking.com, e Nicolas Gautier, da Bolt Ventures. Com esses investidores, a Loggi conseguiu levantar R$ 2 milhões.

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O cliente, pessoa física ou jurídica, pode pagar com cartão de crédito ou por boleto mensal, sem ter de fazer o desembolso em dinheiro, diretamente para o motoboy – no valor de repasse, é descontada uma taxa de intermediação, que não é fixa e varia de acordo com o preço do serviço. Com essa facilidade, empresas médias e grandes podem cadastrar um centro de custos para agilizar o pagamento.

Assim que o pedido é feito pelo site, o motoboy registrado no sistema recebe em seu celular a solicitação em seu aplicativo. Na mesma página em que faz a solicitação, o usuário pode escolher a forma de pagamento.

Segundo o CEO da Loggi, no serviço voltado para motofrete, “ao contrário do serviço de táxi, em o cliente dá instruções ao motorista, o usuário não estará com o motoboy”. “Pagar automaticamente e inserir o roteiro detalhado, que é muito mais complexo que uma corrida de táxi, define o nosso negócio como algo completamente diferente do que é feito nos aplicativos de táxi”, conta Mendez.

O executivo da Loggi conta que no início, cada cliente pedia duas corridas por mês e que agora o sistema registra uma média de sete corridas por mês por usuário. “Os clientes que nós temos estão se tornando cada vez mais fiéis”, conta. Apesar do crescimento gradual, Mendez diz que é impossível falar sobre lucratividade neste momento, mas que a previsão é boa.

Engatinhando no setor

No início de 2012, Marcos Maia estava terminando o curso de Análise de Sistemas e, de olho no lançamento de aplicativos para chamar táxis, quis criar uma plataforma para solicitação do serviço de motoboys. Para que o projeto pudesse ser executado, o empresário convidou Rogério Xavier, Daniel Castro e Tadeu Butcovsky para serem seus sócios. Então, em maio de 2013, foi criada a plataforma Motoboy Online , que atende a região de Belo Horizonte.

Para solicitar o serviço, o cliente deve inserir os endereços no site da empresa. Assim, o sistema calcula o preço automaticamente, baseado na distância entre coleta e entrega, e finaliza o pedido, para depois encontrar um motoboy mais próximo das necessidades do usuário, por meio do aplicativo feito para o profissional – que se cadastra e envia todos os documentos. Neste caso, é o próprio motofretista que recebe o valor do frete e repassa 10% do total para a empresa.

Maia conta que a redução de custo para o cliente é significativa, já que é o site que calcula o valor do serviço, sem repassar taxas para o solicitante, ao contrário do que acontece em cooperativas. Com um número de clientes que gira em torno de 150 a 200, a empresa ainda engatinha no setor. Para o sócio-fundador da Motoboy Online, “a rentabilidade ainda não é muito significativa, mas as expectativas são boas”.

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