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Redes aumentam rigidez na escolha de franqueados para reduzir índice de evasão de unidades e fechar contrato com melhores empresários

Ângelo Lopes da Silveira Pinto, franqueado da MegaMatte no Rio de Janeiro
Divulgação
Ângelo Lopes da Silveira Pinto, franqueado da MegaMatte no Rio de Janeiro

Engana-se quem pensa que para abrir uma franquia basta assinar um contrato. Algumas redes de franquias vêm adotando extensos e árduos processos seletivos que podem levar até um ano.

Entre as etapas, há teste psicológico, entrevista semelhante à de emprego e até test-drive, em que o futuro empresário tem de colocar a mão na massa e acompanhar a rotina do negócio em dias de grande movimento, como sábados, domingos e feriados.

O objetivo de tanta rigidez é reduzir o índice de evasão de unidades que prejudica as finanças e o nome da marca, afirma Altino Cristofoletti, presidente da comissão de ética da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e também sócio-diretor da Casa do Construtor, franquia do ramo de serviços.

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“A lei que rege o ramo de franquias garante que o franqueador tem de oferecer o mínimo de informações ao franqueado sobre o seu negócio — alinhar bem as expectativas”, explica o executivo.

Na Casa do Construtor, Cristofoletti afirma ter colocado em prática um processo seletivo “assertivo”, composto por três fases: recrutamento, entrevista, teste psicológico — para apontar os franqueados mais alinhados com a marca — e visita à sede. “É como se fosse um namoro. A relação dura de dois meses a um ano para se tornar um noivado e, então, um casamento”, compara.

Com a rigidez do processo, o empresário afirma selecionar 3% dos candidatos interessados na marca. “Vamos abrir 60 lojas no total este ano. A assertividade tem melhorado porque tenho franqueados com duas ou mais unidades”, reforça Cristofoletti.

Ser um franqueado da Megamatte também não é tarefa fácil. A cada 20 pessoas interessadas na marca, duas se tornam efetivamente franqueadas. O processo conta com recrutamento, entrevista e uma reunião em que o candidato é colocado frente a frente com a realidade do negócio. “Falo tantas verdades que chego a perguntar se alguém deseja desistir no meio da reunião”, diz Rogério Gama, diretor de expansão da rede.

Test-drive

E o processo de seleção da Megamatte não para por aí. No caso de o franqueador ainda ter dúvidas sobre o perfil do candidato, é aplicado um test-drive, espécie de teste prático em que o futuro empresário tem de passar três dias dentro do centro de treinamento da rede, no Rio de Janeiro, ajudando a administrar uma loja da marca.

“Não tenho dúvidas de que a rigidez ajuda a selecionar os melhores candidatos. O principal fator de insatisfação dos franqueados está em expectativas não alinhadas. Por isso, deixo tudo claro antes de o empresário fechar o contrato conosco”, acrescenta Gama.

Na rede de restaurantes Divino Fogão, há dois treinamentos práticos: o primeiro tem duração de cinco dias e é realizado antes de o candidato fechar o contrato. Já o último, oferecido depois de o contrato ser assinado, consiste em 30 dias de experiência junto com os funcionários da loja. Nesse período, o futuro empresário deve abrir a unidade, administrar o estoque e até gerir o caixa em dias de grande movimento.

“Tivemos casos de pessoas que desistiram no treinamento de cinco dias”, recorda Fernando Canizares, presidente de marketing da rede.

Na avaliação do executivo, as franquias estão cada vez mais perspicazes na seleção de franqueados, mas, ao mesmo tempo, os candidatos também estão mais bem preparados.

“Muitos já pesquisaram outras marcas de franquias e chegam na entrevista com conhecimento de negócio. É muito difícil recebermos algum candidato que não saiba nada sobre o universo do franchising”, conclui.

Experiência militar

O ex-militar carioca Ângelo Lopes da Silveira Pinto, de 29 anos, teve duas experiências em processos seletivos de franquias: em uma delas foi reprovado e na última, no ano passado, teve sucesso. Hoje, é dono de uma unidade da Megamatte no Rio de Janeiro.

“Não fui aprovado na primeira vez por questão financeira. Vi que precisava me capitalizar primeiro para depois abrir uma franquia”, recorda o empresário. Para abrir o café, Silveira Pinto contou com o aporte de mais dois sócios. Na primeira tentativa — em uma rede de acessórios —, estava sozinho.

“Minha experiência de oito anos como tenente me ajudou a ser aprovado porque mostrei ter disciplina e experiência com gestão de pessoas, uma vez que tinha um pelotão de 40 adolescentes”, destaca ele.

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