Tamanho do texto

Site de lojas virtuais Tanlup promove ação para identificar público de produtos artesanais

Para tentar unir um universo de consumidores que cresce, mas ainda é pulverizado, o site Tanlup, que reúne lojas virtuais de artesãos, criou um movimento na internet que busca valorizar este trabalho e identificar tanto quem vende quanto quem compra.

Leia também: Doceiros conquistam mercado com bolos artísticos e chocolate gourmet

Criado no início de setembro, o Compre De Quem Faz já reúne 8.600 pessoas em sua página no Facebook. É inspirado no movimento internacional HandMade, que divulga "achados" de sites que reúnem artesãos

Peça criada por um artesão para o movimento Compro de quem faz, organizado pelo site Tanlup
Divulgação
Peça criada por um artesão para o movimento Compro de quem faz, organizado pelo site Tanlup

Em seu manifesto, ressalta, entre as vantagens de consumir produtos artesanais , evitar processos produtivos que explorem trabalhadores, comprar de quem compartilha os mesmos valores e estilo de vida e também o fortalecimento da economia regional em detrimento de grandes empresas globais. 

Para participar, o site dá a opção de colocar o logo em fotos de perfis nas redes sociais e criar uma peça da campanha com sua própria foto e criações.

Natália Rosin, uma das sócias do Tanlup, que agrega 20 mil lojistas, muitos jovens, vê um interesse maior no Brasil pelo produto artesanal e exclusivo. "Mas estes consumidores estão soltos. Podemos realizar ações mais ativas com a auda da internet. Sabemos que a união faz a força".

Isso porque, segundo Natália, é cada vez mais difícil saber a origem dos produtos e condições do processo fabril em uma economia global. "As notícias sobre trabalho escravo pipocam. Muitos acordaram". 

A ideia, conta, não é que a compra do produto artesanal seja qualificada como "favor". "Queremos incentivar o consumo consciente e responsável, e mostrar que esses produtos têm valor". 

O cenário é impulsionado por novos artesãos, que, em vez de repetir técnicas antigas, colocam sua identidade na peça e transformam a técnica. "O produto artesanal não é sinônimo de madeira, decoração ou coisa da vó. Se modernizou", diz Rosin. Entre as categorias de produtos, ela cita roupas, sapatos, acessórios, bolsas, e até móveis e papelaria para festas. 

A internet parece ter dado impulso para o segmento, já que cada vez mais agrega artesãos em sites, ou torna mais fácil ter uma loja nas redes sociais, por exemplo, sem o custo de pontos fixos. 

A ideia do movimento, em um segundo momento, é promover eventos e debates com lojistas, em busca de ações para ampliar vendas. 

As irmãs Julie e Cris, do blog La Vanille, criaram uma peça para o movimento na web
Divulgação
As irmãs Julie e Cris, do blog La Vanille, criaram uma peça para o movimento na web

Estilo de vida

A venda de objetos artesanais pela geração Y já foi anunciada por agências de publicidade no exterior como uma das tendências que devem ser observadas a partir deste ano, pois pode implicar tanto em maior qualidade de vida e uma maneira alternativa de empreendedor e dar início a projetos pessoais, citando casos como o do site americano Etsy, um marketplace global de pequenas lojas virtuais. 

Muitos deles largam um trabalho fixo para fazer o que dá prazer. É o caso de Ana Matusita, de 42 anos. "Há sete anos deixei de trabalhar no que me formei, economia, o que coincidiu com o nascimento do meu filho. Hoje vivo apenas de trabalhos manuais. Trabalho em casa, de maneira mais tranquila", conta. 

O caminho não foi fácil. "A criação de uma marca é demorada. Mas a internet ajudou, e também o regime de microempreendedor individual. Hoje tenho blog e loja virtual e participo periodicamente de bazares". 

A designer de moda carioca Aída Gabriela, de 25 anos, é uma consumidora de produtos artesanais e conta que apóia o movimento porque incentiva ao consumo consciente. "Geralmente as pessoas que fabricam esses objetos são extremamente atenciosas com o cliente e isso é um diferencial nesse tipo de comércio. Sempre que posso substituo o produto industrializado pelo artesanal", conta.