Tamanho do texto

Entidade pretende dar primeiros passos para viabilizar o financiamento de startups no Brasil

No exterior, o crowdfunding de empresas movimenta ao menos US$ 116 milhões
Thinkstock/Getty Images
No exterior, o crowdfunding de empresas movimenta ao menos US$ 116 milhões

O financiamento coletivo pode ser a saída para alavancar a criação de futuras empresas no Brasil, afirmou ao iG o presidente do Instituto de Economia Criativa e integrante do conselho de criatividade e inovação da Fecomercio-SP, Adolfo Melito, durante a Expo Money, realizada nesta sexta-feira (13) em São Paulo.

-Veja também:  volume global de "crowdfunding" registra aumento de 81% em 2012

"A ideia é fazer com que a dona de casa, o profissional autônomo e o estudante também sejam capazes de financiar o projeto de um novo negócio no qual eles acreditam", explicou o executivo.

Conhecido como crowdfunding, o modelo consiste em arrecadar fundos provenientes de uma quantidade mínima de pessoas interessadas em financiar ideias de negócios ou projetos sociais — uma alternativa ao financiamento tradicional oferecido por instituições financeiras.

Para viabilizar o modelo, ainda incipiente, a Fecomercio convocou entidades como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Anjos do Brasil, no ano passado, para definir os primeiros passos da iniciativa. Um deles seria estipular um valor mínimo do investimento por pessoa — algo em torno de R$ 1 mil para o pequeno investidor, e formar uma "mini bolsa de valores".

No exterior, o crowdfunding de empresas — conhecido como crowdfunding equity — movimenta ao menos US$ 116 milhões, enquanto no Brasil apenas 0,5% deste valor caminha neste sentido, segundo Melito. "A ideia ainda é muito nova por aqui", disse ele, para quem o fomento do governo às empresas deve ficar no passado. "O empreendedor precisa buscar recursos em parcerias e por iniciativa própria".

Para ele, a indústria da economia criativa, ligada à geração de valor através do capital humano, tem grande potencial de crescimento pelo financiamento em grupo. "A estrutura das empresas criativas é diferente do modelo industrial. Não há mais organização hierárquica, e sim estruturas participativas, sem subordinação e mais autonomia nas relações de trabalho, o que reduz os custos", observou.

A indústria de games e aplicativos no Brasil é a que carrega o maior potencial para multiplicar investimentos e empregos na economia criativa, na opinião do executivo. Haveria espaço para movimentar neste mercado até R$ 3 bilhões no Brasil, dos R$ 350 milhões atuais.

Para o presidente da Anjos do Brasil, entidade que fomenta o encontro de investidores com projetos de negócios, a indústria de softwares e ideias ligadas a eventos que estimulam a geração de grandes negócios concentram as maiores oportunidades da indústria criativa no País. "Acreditamos no potencial da economia criativa porque ela se diferencia da indústria tradicional, pela capacidade de produzir mais com menos recursos", disse.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.