Tamanho do texto

Fábricas de equipamentos de informática e óticas estão entre os que mais sobrevivem

Barreto: índice dificilmente ultrapassa os 80%
Sebastião Pedra/Sebrae
Barreto: índice dificilmente ultrapassa os 80%

A mortalidade das micro e pequenas empresas brasileiras caiu ao menor nível da História. Em 2009, a cada cem empresas criadas no Brasil, 76 sobreviveram aos dois primeiros anos de vida, a maior proporção desde 2007, quando começou a se feito o censo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (10), levam em conta  informações da Receita Federal entre 2007 e 2010 e não incluem o modelo Microempreendedor Individual (MEI).

Na avaliação de Luiz Barretto, presidente do Sebrae, o resultado recorde se deve a três fatores: legislação favorável, aumento da escolaridade dos empreendedores e mercado fortalecido, devido principalmente ao aumento de renda da população brasileira.

Leia também: Pequenos empreendedores mostram como sobreviver ao dólar a R$ 2,20

“A sobrevivência das micro e pequenas empresas foi pouco afetada pela crise financeira porque esses negócios estão mais maduros para lidar com oscilações na rentabilidade. A cada dez empresas abertas, apenas três são por necessidade”, contabiliza Barretto.

Informáticas e óticas sobrevivem mais

A indústria foi o setor que obteve melhor desempenho nos estágios iniciais de vida. A cada cem pequenos negócios abertos no setor, quase 80 sobrevivem após os dois primeiros anos de vida. Na sequência aparecem comércio (77,7%), construção civil (72,5%) e serviços (72,2%).

Na indústria, as empresas com melhor desempenho são as que fabricam equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos. Já no comércio, os melhores índices estão entre negócios especializados em venda de instrumentos musicais e acessórios.

Leia também: Pequenas empresas planejam abrir capital

Impulsionado pelo boom imobiliário, o setor de construção civil foi estimulado pelo desempenho favorável das empresas de incorporação de empreendimentos, instalações hidráulicas e sistemas de ventilação e refrigeração.

Por fim, o setor de serviços, que tem menor índice de sobrevivência devido ao baixo investimento exigido, registra melhor resultado no segmento de manutenção e reparação.

“O principal fator que leva as pequenas empresas à falência é a mistura das finanças pessoais com as empresariais. O empreendedor precisa ficar atento e separar bem o dinheiro para evitar que o negócio quebre nos primeiros anos de vida”, alerta Baretto.

Brasil bem posicionado

A região com maior número de empresas que vencem a barreira dos dois anos de vida é a Sudeste, onde o índice de sobrevivência atinge 78%. A região é a única que ultrapassa a média nacional porque concentra o maior número de pequenos negócios do País.

Em segundo lugar está o Sul do Brasil, com taxa de 75,3%, depois Centro-Oeste (74%), Nordeste (71,3%) e Norte (68,9%).

No ranking mundial de sobrevivência de micro e pequenas empresas, o Brasil é um dos primeiros colocados, superando países desenvolvidos afetados pela crise financeira, como Áustria (71%), Espanha (69%), Itália (68%), Portugal (51%) e Holanda (50%). A primeira colocação ficou com a Eslovênia (78%), seguida por Luxemburgo (76%).

De acordo com Barretto, não existe um índice ideal de sobrevivência das micro e pequenas empresas. No entanto, essa porcentagem dificilmente ultrapassa os 80%.

“Empreender sempre envolve risco, por isso é natural ter um percentual de empresas que não avançam.”

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.