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Pesquisa mapeou o sentimento das pequenas e médias empresas sobre o mercado de capitais brasileiro. Para Deloitte, elas foram excluídas nos últimos dez anos

Nada menos que 45% das pequenas e médias empresas (PMEs) pretendem abrir seu capital no Brasil, mas 62% delas ainda consideram o IPO (oferta pública de ações) inacessível, indicou nesta quinta-feira (4) um estudo realizado pela Deloitte em parceria com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, em São Paulo.

-Veja também: pequenas e médias empresas estão a caminho de abrir capital na bolsa

"As PMEs brasileiras foram excluídas do processo de evolução do mercado de capitais nos últimos 10 anos", afirmou o sócio-líder da área de Global IFRS and Offering Services da Deloitte, Bruce Mescher. Segundo ele, o processo que levou o Brasil a um patamar mais elevado neste mercado não incluiu as pequenas e médias".

O estudo  mostrou que 93% das empresas discordam da afirmação de que o processo de IPO é simples
Thinkstock/Getty Images
O estudo mostrou que 93% das empresas discordam da afirmação de que o processo de IPO é simples

Na comparação com outros países, o Brasil possui apenas 353 empresas listadas na Bolsa, ocupando a 23a colocação, enquanto a China tem 2.494 empresas nesta condição, e a Índia, 6.838.

O estudo também mostrou que 93% das empresas consultadas discordam da afirmação de que o processo de IPO é relativamente simples, embora 90% considerem que a abertura de capital é essencial para o País.

Entre os motivos que impedem os IPOs entre companhias de pequeno e médio porte, 43% dos entrevistados destacaram os altos custos do processo, seguidos das exigências regulatórias excessivas (38%) e da complexidade e burocracia (36%).

Ao captar recursos, as PMEs ainda priorizam as fontes tradicionais, como financiamentos bancários, utilizados por 71% dos consultados. Outros meios são empréstimos de partes relacionadas, investimento-anjo, seed venture e utilização de recursos próprios.

Pelo menos 85% dos entrevistados acreditam que o IPO depende mais do momento da empresa, e menos do cenário macroeconômico. "Isso demonstra maturidade, mas também uma grande preocupação quanto ao preparo neste mercado", acredita Ricardo Florence, diretor-presidente do IBRI.

O estudo consultou 73 empresas de pequeno e médio porte, 95% delas de capital fechado e 58% com receita líquida de até R$ 250 milhões em 2012.