Tamanho do texto

Serviços são oferecidos a empresas interessadas em patrocinar eventos

Muito além de uma forma de diversão, os eventos estudantis geram oportunidades de investimentos para jovens empreendedores atentos. De quebra, chamam a atenção de grandes companhias interessadas em se relacionar com este público.

Um bom exemplo é o mercado de festas estudantis, que têm nomes como Ambev, Oi e Diageo como patrocinadores. Na outra ponta estão empreendedores como Thiago Góes, que começou neste mercado aos 20 anos e hoje comanda um grupo que fatura R$ 9 milhões ao ano. Ele conta que quando ainda era estudante de administração da PUC-Rio, gostava de participar de festas e confraternizações universitárias, mas se incomodava com a organização “desleixada” dos eventos.

Festas para universitários geram negócios para empresas
Divulgação
Festas para universitários geram negócios para empresas

Em 2006, com apenas R$ 2 mil no bolso, ele decidiu organizar sua própria festa em uma boate na Lagoa, no Rio. Produziu flyers, contratou promotoras, comprou frutas para drinks e usou o Orkut, que ainda estava na moda, para divulgar o evento. O negócio deu tão certo que se tornou a profissão oficial do estudante. Ele fundou sua própria empresa, o Grupo TGF, que hoje detém 90% do mercado de eventos universitários do Rio.

Nste ano, segundo o empresário, o faturamento da empresa deve crescer 20%, ultrapassando a marca de R$ 10 milhões. “Percebi a oportunidade de fazer um negócio porque os eventos não eram vistos como um business”, conta Goés, que hoje tem 27 anos e comanda uma equipe de 32 profissionais.

Diante da forte demanda, o estudante percebeu que havia uma oportunidade para procurar marcas para apoiar os eventos. A primeira delas foi a Itaipava, em 2007, mas logo a empresa expandiu o portfólio de clientes para outras grandes marcas, como Ambev, Oi, Diageo e MTV, que usam esta plataforma para se comunicar com o público jovem. No caso da Oi, a estratégia é voltada ao fortalecimento de programas de estágio e trainees, e para isso a TGF também desenvolve palestras e pesquisas de opinião.

Góes vendeu seu projeto para empresas como a Ambev
Divulgação
Góes vendeu seu projeto para empresas como a Ambev

Góes conta que a Ambev abraçou o projeto em 2009 com o Circuito Skol Facul, que é uma das grandes plataformas de eventos universitários do País. “Antes deste impulso da Ambev, a gente fazia 20 a 30 eventos por ano, mas depois passamos a mais de 100”, afirma. A empresa realiza uma média de 250 eventos universitários por ano.

Além da TGF Eventos, o grupo conta com a TGF Filmes, voltada a filmagens dos eventos para os clientes, e a TM2 Brasil, que cria experiências com as marcas. Uma delas foi o Skol na Estrada, que selecionou 20 jovens escolhidos nas universidades do Rio de Janeiro para viajarem em um trailer personalizado para o Skol Sensation, maior evento da marca realizado em São Paulo.

Daqui a dois anos, o grupo pretende expandir sua atuação para Espírito Santo e Minas Gerais. Segundo o empresário, a grande vantagem do mercado universitário é que ele nunca se esgota. “É diferente de outras modas que acabam, como a onda da música eletrônica ou da música baiana, por exemplo”, diz. “No segmento universitário, de seis em seis meses temos novas pessoas entrando e definindo seus hábitos de consumo.”

Empresa de turismo nasceu na porta da escola

O mercado de viagens de formatura também tem se profissionalizado nos últimos anos, permitindo a consolidação de empresas especializadas neste nicho. Ainda no início dos anos 1990, o então estudante do ensino médio Renato Costa percebeu a oportunidade de ganhar dinheiro. Ele conta que estudava no bairro da Mooca, em São Paulo, quando fez uma viagem de formatura “inesquecível”, em 1993. Foi a semente para um empreendimento que hoje embarca 40 mil alunos por ano para destinos nacionais e internacionais.

A viagem do estudante foi para Porto Seguro, na Bahia, destino que se tornaria uma verdadeira febre entre os estudantes nos anos seguintes. “Naquela época ainda não havia o costume da viagem de formatura. A moda era fazer apenas o baile”, conta o empreendedor, de 38 anos.

Logo depois de se formar, Costa começou a revender pacotes nas operadoras tradicionais no seu colégio, ficando com uma comissão. Participava das viagens como monitor. “Era popular no meu colégio e conseguia vender para os alunos, mas naquele momento ainda não me arriscava a vender em outras escolas”, conta.

Em 1997, o jovem empresário decidiu abrir uma agência de turismo estudantil, chamada de Forma Turismo. Naquela época, ele cursava a faculdade de publicidade. A intenção era ganhar o espaço das festas de formatura, com o mote “troque a beca pelo biquíni”. A repercussão foi positiva, com 500 alunos embarcados de três diferentes escolas, ainda no primeiro ano do negócio. No ano seguinte, foram 1200 alunos, e o número continuou a dobrar a cada ano.

Costa começou a trabalhar na área como monitor
Divulgação
Costa começou a trabalhar na área como monitor

Nos anos 2000, a Forma Turismo foi a primeira agência estudantil a virar operadora de turismo, começando as atividades de fretamentos. Na virada do milênio, o faturamento somava R$ 2,5 milhões, mas hoje a empresa não revela sua receita.

Além de São Paulo, seu principal mercado, a Forma atua em 18 Estados, com destaque para Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Em 2012, a empresa embarcou mais de 37 mil passageiros para destinos nacionais e internacionais, e neste ano prevê embarcar 40 mil estudantes.

No ano passado a companhia fechou parcerias com várias empresas de turismo, como as redes hoteleiras Blue Tree e Club Med, e as companhias aéreas Aeromexico, TAM e Gol. Em 2013, o objetivo da Forma Turismo é continuar investindo em seus principais destinos, criar novos pacotes e ampliar a participação no sul do País, por meio da abertura de novas filiais. 

Ele conta que Porto Seguro saiu de moda nos anos 2000, mas voltou a ser procurado recentemente e hoje conta com casas noturnas badaladas que também atuam no Litoral Norte, como o Sirena. “No ano passado, além da criação de novos produtos turísticos, investimos em produtos já tradicionais, como Porto Seguro, cujo volume de passageiros foi ampliado em 15% em comparação com a mesma temporada do ano anterior”, afirma.

Cancun, que era um dos destinos preferidos, está em queda hoje devido ao alto custo. Em meados dos anos 2000, a Forma passou a atuar no mercado de cruzeiros universitários temáticos, mas abandonou este segmento depois de sete anos devido à profusão de novos concorrentes.

Nos últimos cinco anos, outra mudança foi o aumento da procura por viagens de formatura nas férias de julho devido à concentração dos vestibulares no final do ano. As tendências mudam, mas as viagens de formatura continuam em voga, mesmo 20 anos depois da viagem que marcou a vida do empresário.

    Leia tudo sobre: empreendedorismo

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.