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Aulas pela internet diminuem pena do presidiário; há treinamentos de informática e idiomas

Oferecer cursos de capacitação para presidiários em regime semi-aberto no Paraná é a estratégia traçada pela Woli Consultoria e Treinamento desde agosto do ano passado para expandir suas operações, levar os treinamentos para um público diversificado e conquistar novas parcerias.

A empresa, que faturou R$ 7 milhões em 2012, planeja obter uma receita de R$ 10 milhões este ano com a expansão no número de alunos e oferta de novos treinamentos — principalmente os mais populares, como o recém-lançado “História do Corinthians".

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Segundo Wagner de Freitas Oliveira, fundador da consultoria, atualmente 700 mil cursos já foram aplicados no Brasil —150 para presidiários em regime semi-aberto das cidades de Ponta Grossa, Piraquara, Lapa e Curitiba. Até o fim do ano, serão 300 detentos atendidos.

Presidiários participam de cursos dentro de ônibus do Instituto Mundo Melhor
Divulgação
Presidiários participam de cursos dentro de ônibus do Instituto Mundo Melhor

A expectativa, afirma, é que a inclusão de detentos cresça conforme a instituição feche novas parcerias com Organizações Não Governamentais (ONGs) de outros Estados. “Como os cursos são a distância, temos dispersão geográfica. Ou seja, podemos oferecê-los para presídios de todo o País”, afirma Oliveira.

No Paraná, pioneiro na oferta dos treinamentos, a consultoria tem parceria com o Instituto Mundo Melhor, que gerencia e custeia o projeto, e com a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado, que seleciona e libera a saída dos presidiários.

Toparia trabalhar como babá porque adoro crianças, mas acho que por ter ficado preso, não me aceitariam

Entre os cursos ofertados pela Woli estão “Noções Básicas de Informática”, “Noções de Empregabilidade” “Noções de Governança Doméstica”, “Gestão de Negócios I”, “Gestão de Negócios II”, “Idiomas ao Alcance de Todos”, “Cuidando da Casa e dos Filhos” e “Saúde e Beleza da Mulher”.

De acordo com Fernanda Edi de Matos, assistente social do Instituto Mundo Melhor, a cada 12 horas de curso, os presidiários ganham em troca um dia a menos de pena. O objetivo é incentivá-los a estudar e, com isso, reinseri-los no mercado de trabalho.

As aulas acontecem dentro de microônibus equipados com notebooks, que têm capacidade para atender até 16 presidiários por vez. “Os treinamentos mais solicitados são o de informática básica e como se portar em uma entrevista de emprego”, acrescenta Fernanda.

Ônibus onde os presidiários assistem às aulas
Divulgação
Ônibus onde os presidiários assistem às aulas

Lucas, de 26 anos, participou do curso “Cuidando da Casa e dos Filhos”. Seu objetivo é ganhar dinheiro como babá e estar preparado para cuidar dos dois filhos pequenos quando sair da prisão, no início de 2014 (a mulher dele está grávida de sete meses).

“Aprendi a usar a chupeta, trocar fralda e dar mamadeira. Toparia trabalhar como babá porque adoro crianças, mas acho que por ter ficado preso, não me aceitariam”, diz ele, que sonha ser veterinário.

Lucas, condenado por assalto, está preso há seis anos. Atualmente ele trabalha na área de limpeza da prefeitura da Lapa. Seu salário é de R$ 406. “O curso foi de extrema importância para mim porque voltei a ser humano. Voltei a conviver com a sociedade como uma pessoa normal”, comemora.

O estudante Ivan, 24 anos, fez os cursos de culinária, jardinagem e floricultura no ano passado. Hoje, trabalha como ajudante de cozinha na Penitenciária Estadual de Ponto Grossa e faz supletivo para concluir o ensino fundamental e médio. “Vou sair da prisão no mês que vem e pretendo trabalhar com o meu pai em uma siderúrgica na área de entrega de ferro”, planeja.

Para Ivan, o curso representa um diferencial no currículo, uma vez que demonstra seu interesse em “dar a volta por cima na vida”. “A experiência foi boa porque abriu as minhas portas. Antes, ficava preso na prisão tem ter o que fazer”, recorda ele, que foi preso por tráfico de drogas.

Os nomes completos e fotos dos presidiários não foram divulgados a pedido da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná.

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