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Confira o investimento inicial das redes que pretendem expandir para os centros varejistas

Com um aluguel de 30% a 45% mais barato que o dos shoppings, segundo André Friedheim, diretor da ABF (Associação Brasileira de Franchising) e da Francap, os supermercados vêm atraindo a atenção de grandes franquias interessadas em expandir suas operações no País, como UZ Games, Pastelândia, Salgados do Brasil, Laundromat, 5àsec, Rei do Mate e Wap Car Wash Center (confira o investimento inicial de cada rede na galeria abaixo). Além de o ponto comercial ser mais em conta, a maioria desses estabelecimentos oferece estacionamento gratuito e segurança.

Das cinco unidades que a Wap Car Wash Center, de limpeza automotiva, pretende abrir este ano, três são em supermercados. O motivo, segundo Alan Flausino, gestor de negócios da rede, é o maior fluxo de veículos nesses centros varejistas. “Aproveitamos o tempo do cliente com as compras e vendemos o serviço de lavagem.”

Adriana Lima, diretora de expansão e operações do Rei do Mate
Divulgação
Adriana Lima, diretora de expansão e operações do Rei do Mate

Para aumentar a presença, a marca está fechando parceria com a rede Carrefour. “É importante que o hipermercado tenha, no mínimo, um fluxo diário de 1.500 carros por dia”, afirma Flausino.

Também na área de serviços, a 5àsec planeja ter até oito novas lojas em supermercados este ano. “Aliar o nosso nome às marcas líderes varejistas é um bom atrativo. Além disso, a possibilidade de fazer ações conjuntas de marketing também é algo muito positivo para as duas redes [varejista e franquia]”, complementa Sérgio de Souza Carvalho Júnior, diretor de marketing da rede de lavanderias.

A Laundromat, concorrente da 5àsec, também tem planos ambiciosos de crescimento em super e hipermercados. A rede espera abrir 30 novas unidades este ano, dez delas nos principais centros varejistas do País. “O tempo de permanência das pessoas nos supermercados gira em torno de 90 a 120 minutos , o que se encaixa no ciclo da lavagem e secagem, que é de uma hora aproximadamente”, contabiliza Nicolas Lopez Lanhozo, diretor comercial da Laundromat.

Aproveitando que os supermercados pouco exploram o comércio de jogos, a UZ Games criou um modelo “light” específico para esses centros comerciais — mais enxuto e simples. “Descobrimos que dá para gastar menos com aluguel e vender do mesmo jeito”, pontua Fabio Cunha, supervisor da rede.

A franquia de games prevê abrir 15 lojas este ano, quatro delas no modelo “light” em supermercados. Para isso, está fechando parceria com os centros varejistas, entre eles o Carrefour.

Franquias de alimentação

Com presença em massa nos principais hipermercados do País, as franquias de alimentação agora pretendem explorar estabelecimentos menores, como os supermercados e mercados de bairro.

A Pastelândia, por exemplo, tem planos de expansão em todos os tipos de centros varejistas. “A nossa análise não envolve o tamanho do empreendimento, mas sim a viabilidade de custos em detrimento do fluxo de pessoas do local”, afirma Bruno Regina, sócio-proprietário da rede de franquias.

A rede pretende lançar dez novas unidades este ano, metade delas em centros varejistas. “O ticket médio em supermercados é cerca de 10% a 15% maior que o de lojas de rua”, reforça Bruno.

No mercado desde 2011, a Salgados do Brasil tem quatro lojas no País, todas em pontos de rua. A partir deste ano, contudo, a marca pretende apostar nos mercados e supermercados para garantir o crescimento da rede. “O fluxo de pessoas é alto e o momento da venda é ideal porque geralmente as famílias estão cansadas e com fome depois das compras”, analisa Edson Braga, proprietário da franquia.

Isadora Sbrissa, gerente-geral de galerias do GPA Malls&Properties
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Isadora Sbrissa, gerente-geral de galerias do GPA Malls&Properties

Os centros varejistas, contudo, não são garantia de alto faturamento, alerta Adriana Lima, diretora de expansão e operações do Rei do Mate. “Se o mercado não for aceito na região, a franquia pode ter um baixo faturamento”, contrapõe Adriana. O Rei do Mate vai inaugurar 14 lojas este ano, uma delas em um supermercado de Araçatuba, interior paulista.

Interesse dos supermercados

O interesse das franquias nos supermercados não é unilateral. Os próprios centros varejistas buscam nessas redes uma forma de trazer comodidade aos consumidores.

A presença das franquias aumenta o fluxo de pessoas no estabelecimento e torna os clientes mais fiéis, segundo Lyana Bittencourt, diretora de marketing da consultoria que leva seu sobrenome. “Os próprios supermercados estão contatando as franquias”, destaca.

De acordo com Ricardo Camargo, diretor-executivo da ABF, os centros varejistas buscam principalmente franquias de serviços e de alimentação. “Estamos fechando parceria com a Apas [Associação Paulista de Supermercados] para reforçar a presença das redes nos espaços de conveniência.”

O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, passou a investir nos espaços de conveniência também na bandeira Pão de Açúcar —antes o foco estava nas unidades do Extra. “Não dá para achar que o consumidor tem tempo para fazer as compras e ir a outras lojas buscar serviços, lojas e restaurantes”, justifica Isadora Sbrissa, gerente-geral de galerias do GPA Malls&Properties, empresa de gestão e incorporação de imóveis.

Segundo Isadora, o grupo possui 200 mil metros quadrados de área locável no País. A expectativa é que esse espaço seja dobrado nos próximos três anos, com os lançamentos de novos supermercados e a expansão de galerias na bandeira Pão de Açúcar. “Para esse ano, esperamos crescer em 40 mil metros quadrados”, contabiliza.

Em nota, o Carrefour afirma que possui parcerias com diversas redes de franquias nacionais e regionais, como McDonald’s, Chilli Beans, O Boticário, Spoletto e lavanderias. “Nosso intuito é complementar o mix de produtos oferecidos pelo hipermercado e facilitar a vida do cliente”, destaca a empresa.

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