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Sofisticação do visual e do paladar é tendência da indústria de doces artesanais no Brasil, como apontou a quinta edição da Expo Brasil Chocolate, realizada em São Paulo

Bolo inspirado na popstar Madonna, durante a Cake Design Expo
Taís Laporta
Bolo inspirado na popstar Madonna, durante a Cake Design Expo

Vai fazer uma festa? Contrate um cake designer para esculpir bolos inspirados no cinema, música ou literatura. Quer comer um doce? Compre chocolates artesanais com maior teor de cacau e menos açúcar. É o que propõe, com base em tendências do mercado, a quinta edição da Expo Brasil Chocolate, paralela à Cake Design Expo, realizada esta semana em São Paulo.

Já não basta fazer bolo ou chocolate: a ordem agora é sofisticar. “O bolo temático é uma inovação do setor de festas e bufês. Profissionais apostam em personagens e celebridades para se diferenciar no mercado”, analisa o presidente da feira, Luiz Augusto de Alcântara Machado. Seja em casamentos, aniversários infantis ou de debutantes, o bolo artístico é um novo nicho de atuação dos doceiros.

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Embora os bolos não sejam comestíveis – com fim meramente decorativo –, seus designers preferem evitar o termo "bolo falso". A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe que bolos comestíveis fiquem expostos por muito tempo em festas de casamento, por questões de saúde e higiene.

Chocolate artesanal em ascensão

Também cresce o mercado de chocolates artesanais – ou gourmet. Cerca de 90% destes produtos são feitos em casa, por profissionais autônomos ou que precisam complementar a renda, estima Machado.

Embora o chocolate artesanal represente apenas 2% da produção nacional, as vendas do produto subiram 20% em 2012, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).

O segredo do aumento expressivo pode estar na sofisticação e inclusão de novos ingredientes na fórmula do chocolate gourmet. “Só agora o brasileiro está começando a se acostumar a um chocolate de maior qualidade, com mais cacau”, diz.

No Brasil, a legislação considera como chocolate qualquer doce com pelo menos 25% de cacau. Já em outros países, onde ele é visto como alimento de merenda escolar, e não apenas como guloseima, a exigência é de um percentual maior, de acordo com o presidente da Expo Brasil Chocolate.

Introduzir o conceito de qualidade por aqui, contudo, exige forte investimento na produção e processamento do cacau. O Ceplac, órgão do Governo Federal criado em 1957, procura disseminar técnicas de plantio e colheita que possam melhorar a posição do Brasil no ranking internacional de produtores de cacau.

Maior produtor do mundo décadas atrás, hoje o País ocupa a quinta posição, atrás de países como Costa do Marfim, Venezuela e Camarões.

Bolo inspirado na série britânica
Taís Laporta
Bolo inspirado na série britânica "Harry Potter"

O cacau brasileiro também é pouco exportado. “Nossa exportação é baixa porque o consumo interno é alto e são poucos os produtores de qualidade”, considera Machado. O consumo anual de chocolate no Brasil aumentou de 1,65 quilos para 2,2 quilos por habitante nos últimos três anos, segundo a Abicab.

O maior estado produtor do País, hoje, é a Bahia, mas o Pará pode ultrapassá-lo em cerca de três anos, estima o executivo da feira, por estar investindo em técnicas de plantio mais modernas.


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