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A receita do acarajé, contudo, conserva a mesma base, com o uso de feijão triturado

Seis abrigos com formato de quiosque sobre decks foram instalados no estádio, em Salvador
Divulgação
Seis abrigos com formato de quiosque sobre decks foram instalados no estádio, em Salvador

Depois da autorização da Fifa, baianas comercializarão o famoso bolinho em estrutura especial na Arena Fonte Nova, em Salvador

As baianas vendedoras de acarajé em Salvador estreiam antes mesmo das seleções da Nigéria, Uruguai, Itália e Brasil entrarem em campo na Arena Fonte Nova, a partir desta quinta-feira (20). Seis abrigos com formato de quiosque sobre decks especialmente para elas colocarem os tabuleiros de venda foram instalados no estádio.

Criadores dos novos abrigos, os arquitetos Heraclito Arandas e Giuzeppe Mazoni, da GMF Arquitetura, projetam camarotes, palcos e coberturas para eventos como o Festival de Verão Salvador e os shows da banda Asa de Águia. “Para fazer o projeto a gente se inspirou em imagens do cotidiano baiano como os arcos das ladeiras históricas, e manteve o cuidado de não chamar a atenção para os abrigos, apenas proteger as baianas”, explicou Arandas.

A receita do acarajé conserva a mesma base, com o uso de feijão triturado, seguindo inspiração da gastronomia tribal dos hauçás africanos, que por sua vez a herdaram dos povos árabes criadores do falafel, feito de grão de bico.

Para serem aceitas na Arena Fonte Nova - uma exceção nas normas da Fifa que só autoriza comércio na área dos jogos por empresas patrocinadores da Copa - as baianas fizeram até protesto em torno do estádio, comandado pela Associação das Bahianas de Acarajé e Mingau (Abam). Após as negociações, ficou liberada a presença de seis vendedoras em anúncio feito no início de junho.

“É muito importante manter a venda de acarajé durante os jogos nos estádios. Mas nós, vendedoras, queremos mesmo é agradar a população em geral e não somente aos estrangeiros”, diz Angelice Batista dos Santos, 48 anos, associada da Abam.

Cocada para francês

Angelice sabe preparar o acarajé há 40 anos, e conta que aprendeu a fazer o petisco com a bisavó dela, Vitalina Sales de Almeida. O tabuleiro de Angelice fica na orla de Salvador. Ela acha que os estrangeiros adoram o acarajé da Bahia e que o petisco é um atrativo para outras iguarias que são comercializadas, como o abará, a cocada e o bolinho de tapioca, também conhecido como bolinho de estudante.

Ela conta que, um dia, viu um turista francês comprar o petisco, cheirar, morder sem entusiasmo, e jogar quase inteiro no lixo. A vendedora correu e ofereceu uma cocada para o turista. “Ele adorou, saiu feliz da vida”, garante Angelice.

O gestor do Escritório Municipal da Copa do Mundo (Ecopa), Isaac Edington, confessa que gosta mais do abará. “Compro no tabuleiro, congelo em casa e ofereço a amigos que chegam de São Paulo, por exemplo”, conta, elogiando outro petisco de massa semelhante à do acarajé, mas que, em vez de frito no azeite de dendê, é cozido pelo vapor, no processo chamado banho-maria.

Para quem não é de Salvador, Isaac sempre recomenda o petisco, por não possuir muito azeite de dendê. Mas na Copa, admite, todas as atenções estão voltadas para o acarajé vendido no estádio pelas baianas.

Uma preocupação citada por ele para a venda no estádio é a higiene. Por isso, é colocado um caixa central para o pagamento do acarajé, evitando que as baianas peguem no dinheiro e no petisco ao mesmo tempo.

Credenciamento para ambulantes

A Secretaria Municipal de Ordem Publica (Semop) iniciou nesta terça-feira (18) credenciamento de ambulantes que poderão comercializar apenas produtos dos patrocinadores da Copa das Confederações no entorno da Arena Fonte Nova, com abrangência nas áreas do Dique do Tororó, Avenida Joana Angélica e Ladeira dos Galés. O credenciamento será até esta quarta-feira (19), das 9h às 16h.

Foram disponibilizadas 600 vagas e os interessados devem se dirigir ao posto da Semop na Rua 28 de Setembro, Baixa dos Sapateiros, onde efetuarão pagamento da taxa de R$58 e receberão os isopores padronizados. Não será permitida a comercialização de alimentos.

“Quem não tiver a licença ou não estiver usando o uniforme distribuído com o kit, não poderá atuar no local”, enfatiza a secretária Rosemma Maluf. A fiscalização será feita pelos agentes da Semop, com a apoio da Guarda Municipal.

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