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Empreendedores aproveitam jogos deste ano para ajustar a casa para a Copa do Mundo

No mercado há 38 anos, o restaurante O Beco, localizado próximo ao estádio do Itaquerão, em São Paulo, aproveitou a Copa das Confederações, que tem início neste sábado (15), para passar por sua primeira grande reestruturação. Além de uma reforma para tornar o restaurante “mais aconchegante”, todos os funcionários estão recebendo aulas de inglês duas vezes por semana.

O objetivo, segundo a proprietária Marília Ruffino, 30 anos, é deixar o restaurante pronto para a Copa das Confederações. “O evento será uma espécie de teste para a Copa do Mundo porque devemos receber turistas interessados em conhecer a capital e os estádios que sediarão os jogos do mundial”, explica.

A empresária Marília Ruffino (ao centro), dona do restaurante O Beco, em São Paulo
Arquivo pessoal
A empresária Marília Ruffino (ao centro), dona do restaurante O Beco, em São Paulo

Até o momento, calcula, foram investidos R$ 42 mil na reestruturação, que contemplou a compra de telões e a contratação de um professor de inglês exclusivo para a equipe. “Só não fizemos mais reformas porque falta capital de giro, mas até 2014 estaremos prontos”, planeja a empresária, que decidiu preparar-se para os jogos após participar de cursos e seminários do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Assim como Marília, outros 20 mil micro e pequenos empresários participaram de treinamentos organizados pelo Sebrae desde 2011 com foco específico nos dois eventos que o Brasil sediará.

De acordo com Luiz Barretto, presidente da entidade, há uma grande expectativa dos empresários em relação à Copa das Confederações porque ela será um “teste preparatório” para o mundial. “A um ano da Copa do Mundo, as micro e pequenas empresas brasileiras já faturaram mais de R$ 100 milhões por conta dos jogos.”

Descobrir como desbravar esse potencial mercado é um dos maiores questionamentos dos empresários, segundo Barretto. “Com a capacitação, conseguimos tornar os pequenos empreendimentos mais competitivos para atuar em um mercado globalizado”, acrescenta.

Alambique Flor do Vale, no Rio Grande do Sul
Divulgação
Alambique Flor do Vale, no Rio Grande do Sul

O Alambique Flor do Vale, um parque (estância) em Canela (RS), está se preparando para os eventos esportivos em parceria com o Sebrae desde o anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo. Além de investir na modernização do espaço, a empresa contratou uma rede de ensino de idiomas para a qualificação de seus seis funcionários.

“A Copa das Confederações será importante para testarmos a estrutura e a equipe do parque. Vamos poder medir nosso desempenho antes de a bola rolar na Copa de 2014”, afirma Antonio Cardoso Junior, 36 anos, gestor de desenvolvimento do parque.

A expectativa é que as vendas de bebidas dentro do alambique e para fora do País aumentem 30% na Copa das Confederações e 60% na Copa de 2014.

Artesanato

A artesã Socorro Meira, 53 anos, também está otimista com os jogos. Ela vende roupas sem costura e echarpes há cinco anos em feiras do Recife. A partir deste ano, contudo, a empresária vai comercializar seus produtos para um público que até então era escasso em suas barracas: os turistas.

Para não perder clientela, Socorro participou de cursos de precificação e adequação de produtos ao mercado. Hoje, vende não só roupas mas também faixas e broches nas cores verde e amarelo. “As echarpes e as blusas também ganharam um tom mais esverdeado para combinar com essa fase de patriotismo”, explica ela.

Com uma nova barraca no shopping RioMar, a artesã espera quase dobrar as vendas (previsão de 80%) a partir deste ano. “Vou usar a Copa das Confederações para estimar com mais precisão como serão as vendas durante a Copa do Mundo”, planeja.

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