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Hoje com 16 funcionários e três utilitários, Rolando 'Massinha' faz planos para montar um negócio móvel com comida tailandesa

Enquanto São Paulo dorme, uma Kombi iluminada serve pratos a clientes famintos. A noite paulistana despertou um negócio sobre rodas que, há seis anos, alimenta famílias, ciclistas e trabalhadores noturnos. A clientela é variada. Pelo restaurante Rolando Massinha, passam taxistas, agentes de trânsito e funcionários de limpeza da madrugada.


A ideia de vender pratos italianos na rua surgiu quando Rolando “Massinha” – nome artístico adotado pelo empresário  –, decidiu mudar de profissão. Com problemas financeiros, o ex-empreiteiro de obras, apaixonado por massas, comprou o veículo de um vendedor de cachorro-quente e o adaptou para preparar comida italiana.

“O começo foi difícil. Pensavam que eu vendia hot dog e até yakissoba”, conta o chef de cozinha, que instalou seu veículo na esquina da Avenida Sumaré com a rua Caubi, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Levou tempo até a clientela assimilar o cardápio pouco convencional que saía da Kombi: de fettuccine de espinafre a nhoque recheado com mandioquinha. Os pratos custam entre R$ 12,50 e R$ 20;

Hoje com 52 anos, Rolando tem 16 funcionários registrados, incluindo um “masseiro” que o ajuda no preparo da comida. Apesar de não revelar o faturamento e a quantidade de pratos vendidos – prefere manter a discrição –, Rolando já expandiu por meio de sociedade o negócio em Itu e Sorocaba, no interior de São Paulo.

O empreendedor avisa, contudo, que não quer abrir franquias. “Prefiro parcerias, pois acho melhor dar autonomia para um sócio montar seu negócio e caminhar com as próprias pernas”, comenta.

Dividindo seu tempo com negócios paralelos – Rolando adquiriu um restaurante e até uma pastelaria – o empreendedor confidencia que seu lugar preferido é a Kombi, mais próximo da clientela, para onde pretende voltar. “Ali é meu lugar, onde tudo começou. Não adianta ter uma empresa grande e mudar sua origem”.

O fato de administrar um negócio na rua, durante a madrugada paulistana, não intimida Rolando. Segundo ele, nunca houve problemas de segurança no local.

A venda de comida em locais públicos só é regulamentada para vendedores de hot dog em São Paulo (há vereadores com projetos para estender a liberação a outras categorias), Rolando fez uma parceria com uma loja de lingerie para ficar em seu estacionamento de segunda-feira a sábado, das 19h às 6h, e aos domingos, das 19h às 23h.

Em troca, deixa as vitrines da loja acesas, para dar visibilidade ao negócio. “A dona da loja se sente segura com nossa presença durante a noite, e utilizamos seu espaço sem pagar nada. É uma parceria vantajosa para ambos”, comenta o empresário.

Agora, o próximo passo é abrir um negócio ambulante de comida tailandesa em São Paulo, mas o local ainda não está definido. Se o negócio der certo, Rolando vislumbra servir comida árabe e até mexicana em Kombis.