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Empreendedor de 26 anos adaptou veículo de ambulância com energia solar e patenteou projeto para vender comida japonesa na rua

Nos quatro anos em que morou em Nova York, o DJ brasileiro Alan Liao tinha o hábito de comer na rua. O cardápio ia de cachorro quente a churrasco grego (kebab) nos veículos cercados por turistas e engravatados. Foi aí que veio a ideia de criar um restaurante sobre quatro rodas no Brasil.

Alan Liao, de 26 anos: intenção é dobrar o faturamento com trabalho em dois turnos
Vinícius Oliveira
Alan Liao, de 26 anos: intenção é dobrar o faturamento com trabalho em dois turnos

Não que isto seja novidade por aqui. Há bons anos, as Towners rosa-choque viraram fonte de renda de vendedores em inúmeras esquinas. Mas transformar um carro em restaurante, sem descuidar da higiene e visual, é um desafio. Ainda mais se a especialidade for comida japonesa, que precisa ficar longe do calor.

Alan comprou um furgão e contratou um engenheiro de alimentos para fazer o desenho industrial do veículo. Precisava de energia para manter os ingredientes do temaki resfriados. A solução foi alimentar baterias por meio de um teto solar, revestido com garrafa PET, capaz de manter a geladeira da van funcionando por até 30 horas. Na falta de sol, hélices instaladas no carro aproveitam a energia gerada pelo vento.

“Seria impossível criar um negócio móvel se dependêssemos dos pontos de energia espalhados pela cidade de São Paulo”, explica o empreendedor de 26 anos. Com o projeto pronto, ele procurou um profissional que adapta ambulâncias para finalizar o restaurante. “Ele nunca tinha feito isso, e acabou dando certo”. A temakeria móvel estava pronta.

Há um ano e dois meses, Alan começou a estacionar na porta de baladas e eventos em São Paulo, e também em praias do litoral norte paulista na alta temporada, onde o movimento é até dez vezes maior, segundo ele. Há poucas semanas, passou a trabalhar em dois turnos, vendendo uma média diária de 250 temakis, de segunda a sábado. De dia, próximo a centros empresariais, e de madrugada, onde há agitação.

O DJ faz questão de mostrar a higiene de seu negócio: nada de jogar resíduos ou água suja na rua. Para isso, ele instalou uma caixa d’água de 100 litros para preparar a comida, e outra para o descarte. “Coletamos os resíduos e a água é armazenada para ser dispensada em esgotos adequados”, conta. 

Seria impossível criar um negócio móvel se dependêssemos apenas dos pontos de energia espalhados pela cidade de São Paulo

Com dois funcionários no período diurno e três no noturno – foi preciso um segurança para botar ordem nos boêmios e baladeiros – Alan ainda se divide entre as funções de empresário e DJ, o que rouba boas horas de seu sono.

Mas a jornada dupla tem um objetivo claro. “Minha intenção é dobrar o faturamento da empresa em 2013”, diz o microempresário. A receita bruta anual do negócio foi de aproximadamente R$ 300 mil, mesmo valor do custo total do projeto. Para clonar um segundo veículo, que deve ficar pronto este ano, ele calcula desembolsar cerca de R$ 200 mil.

O DJ afirma já ter recebido 150 emails com propostas para abrir franquias pelo Brasil, mas acha cedo para arriscar em uma expansão. “Prefiro esperar para estar mais estruturado”.

Regras

A Prefeitura de São Paulo, por meio de nota, informa que a atividade de comércio ambulante, qualquer seja a categoria, só poderá ser exercida mediante a emissão, pela respectiva Subprefeitura, do Termo de Permissão de Uso (TPU). Os ambulantes que exerçam a sua atividade através de veículos automotivos, devem solicitar, além do TPU, a regulamentação da atividade perante a Secretaria Municipal de Transportes.

Além disso, vendedores devem apresentar comprovante de participação no Curso de Manipulação de Alimentos e Práticas de Higiene, coordenado pela Vigilância Sanitária Municipal.